04 dezembro 2017

Pule, Kim Joo So, de Gaby Brandalise

Pule, Kim Joo So (capa)
Pule, Kim Joo So é o romance escrito pela brasileira Gaby Brandalise, que está saindo pela verus Editora, do Grupo Editorial Record. Nele, a autora traz para o enredo uma de suas paixões, os dramas coreanos.

Antes de irmos para o comentário, uma nota importante: eu não sou fã de dramas coreanos. Nunca assisti. Portanto, as impressões serão baseadas somente no que eu conheço do livro, pelo que está escrito e as coisas que elas me sugerem. É importante salientar isso por motivos de: um livro quando é posto em circulação, por mais que se tenha em mente um público-alvo, vai atingir outros públicos. O consumo e a forma de consumir não têm como serem controladas.

Voltando...


Em Pule, Kim Joo So, vamos acompanhar o inusitado encontro de So, um líder de uma banda coreana, com Marina, funcionário do aeroporto de Curitiba. Mas, o cantor não é apenas um líder de banda de K-pop, ele é também a personagem de um drama coreano, um dorama, que por algum motivo acaba saindo da novela e caindo em nosso mundo.

E, uma das coisas que se tentará fazer ao longo das 208 páginas do romance é convencer So a voltar para o seu dorama, que é um estrondoso sucesso na Coréia.

Quando eu comecei a ler, a primeira coisa que me lembrei foi de O mundo de Sofia, com todo aquele lance de a personagem tomar consciência de que é uma personagem e que as coisas que ela está fazendo é o que o autor quer que ela faça. Isso acontece com o So. Até mesmo a rebelião de sair do romance, acontece quando ele sai do dorama. Embora, ao contrário de Sofia, isso não seja algo planejado.

Cartaz em espanhol de
A rosa púrpura do Cairo (1985)
Porém, também me lembrava outra coisa; um filme que havia assistido há algum tempo: A rosa púrpura do cairo, de 1985 e dirigido por Woody Allen.
Sinopse: Situado em uma área pobre de Nova Jersey, durante a Grande Depressão em 1935, Cecília, uma desajeitada garçonete que sustenta Monk, o marido bêbado e desempregado e que só sabe ser violento e grosseiro, costuma fugir da sua triste realidade assistindo a sessões seguidas de seus filmes prediletos. Ao assistir pela quinta vez o filme "A Rosa Púrpura do Cairo", produzido pela RKO Pictures, ela tem uma grande surpresa ao ver o herói protagonista Tom Baxter (atraído por ela ao vê-la lhe observando várias vezes) magicamente sair das telas em preto e branco da fita em vídeo para um mundo real e colorido e declarar seu amor a ela, provocando uma verdadeira confusão. Como os outros personagens do longa se negam a continuar o filme sem o personagem principal, o diretor do filme decide pedir ajuda ao ator hollywoodiano Gil Shepherd (que interpreta Tom Baxter no longa) para trazer o seu personagem de volta para as telas do cinema. (fonte: wikipédia)
Há muitos pontos em comum, além do sair das telas de um dorama. Marina, por exemplo, também sofre com os abusos de um ex-namorado alcoólatra. A base é bastante o enredo que se encontra no filme de Allen.

Todavia, não penso na questão "plágio", como alguns poderiam supor, pois, o desenvolvimento acontece com variações até interessantes e aí vocês terão não só que ler o livro, como também ver o filme pra saber quais são.

Ainda sobre o desenvolvimento da narrativa, acho que o romance poderia ter sido mais trabalhado. Há muitas coisas que penso serem pouco exploradas. Algumas podem até ser explicadas com coisas que vamos descobrindo mais a frente, mas, ainda assim, poderia ser melhor.

Um dos pontos é o caso de Marina. Com o passar da leitura, fiquei me questionando mais sobre a personagem, sua história de vida e as coisas que sentia, para além das informações básicas que nos eram passadas. Ela seria algo que, em certos tipos de análise literária, uma personagem-tipo, que não tem um aprofundamento psicológico, ou um desenvolvimento que a leve ao crescimento dentro da narrativa. Ela começaria e terminaria do mesmo jeito. Isso muda um pouco mais para o final do romance e até pode ser explicado pelo que descobrimos sobre ela. Contudo, a sensação de que ela só serve para a elevação e o cumprimento da jornada de So é uma coisa forte e me incomodou. 

De um modo geral, os sentimentos das personagens não são muito explorados. Talvez isso seja um problema com a narração, que me pareceu ser muito truncada, com suas inúmeras comparações. Sendo algumas delas sem uma relação entre as coisas comparadas. A certa altura do romance se fala de uma agonia palpável e a compara com espectros. Ora, esse tipo de coisa não é possível. Uma coisa palpável é algo concreto, que pode ser retido na mão, coisa que espectros não são...

Quando se tem a mudança de línguas das personagens, há uma marcação disso nas falas, que se perde depois, ainda que a alteração ainda esteja ali, como se tivesse sido esquecido ou não fosse mais importante a marcação.

Há outras questões que poderiam também ser comentadas aqui sobre o desenvolvimento do romance, mas prefiro parar por aqui com o seguinte: O romance tem uma ideia interessante e as reviravoltas são boas, mas ele é muito curto para dar conta das coisas que se propõe. Há pontas soltas, coisas por dizer, coisas explicadas de maneira muito rápida e uma narração as vezes um tanto empolada.

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