03 novembro 2017

Autoboyography, de Christina Lauren

Autoboyography (capa)
Autoboyography, de Christina Lauren e publicado pela Simon & Schuster, é um romance que  que fala da relação entre Tanner e Sebastian. Tudo começa quando, após ser desafiado por Auddye, Tanner, o melhor amigo dela, se matricula na disciplina de escrita literária ofertada para os alunos do ensino médio. É nessa disciplina que Tanner e Sebastian se conhecem.

O ponto é: Tanner é bissexual, mas desde quando voltou a morar em Provo, esconde que gosta de meninos. Isso se dá porque a localidade é marjoritariamente Mormom. Tanner não é, sua mãe foi e seu pai é judeu não praticante. Já Sebastian, além de ser mormom, ainda é filho do Pastor.

É a questão religiosa que criará o conflito do romance e é maravilhoso ver como isso é muito bem construído, sem cair para demonização de nenhum dos lados, e sim como forma de mostrar as perspectivas e as escolhas que elas implicam. É claro que há a crítica social em relação ao posicionamento da igreja, porém isso é feito de modo bastante respeitoso.

E isso foi uma das coisas que mais me cativaram durante a leitura do livro, o modo como o conflito é organizado em torno de algo religioso e de maneira empática, sem ser conivente.

Outro ponto legal é que a melhor amiga apaixonada acaba tendo uma participação que me pareceu realmente justificar a existência dela e não só ser a amiga que ouve as lamúrias do amigo e que fica chateada com alguma coisa por ser apaixonada pelo amigo.

Todavia, o modo como ainda as personagens se apaixonam me parece meio que surreal. Elas se olham e já se apaixonam como num romance romântico. Algo meio que é explicado pela "beleza". Bem, pelo menos é isso o que temos do lado de Tanner, do lado de Sebastian nós só podemos acreditar que tenha se dado da mesma forma, já que ele diz que "olhou e sentiu".

Esse tipo de coisa me incomoda, porque, de certo modo, reforça a ideia de amor à primeira vista que naturalmente se desenvolve na interação entre as personagens. Ora, achar alguém atraente e se encantar por uma pessoa é uma coisa e estar apaixonada por ela é outra completamente diferente. E se encantar por alguém, por conta de uma ideia que se faz de uma pessoa, pode não se confirmar em uma afirmação do que se pensou acerca o objeto de encantamento. Por exemplo, você pode descobrir que a pessoa é babaca.

Claro que isso é uma questão que está para além do romance, que acaba sendo um recorte e mesmo uma potencialização de situações e relações, o que explica determinadas como escolhas narrativas.

Falando em escolhas narrativas, no que se refere a estruturação, me incomodou a mudança do narrador ao fim. Saímos de um narrador-personagem para um narrador onisciente, que vai tratar em separado dos eventos que acontecem com Sebastian e Tanner, como modo de mostrar pro leitor o que acontece com Sebastian e que Tanner não poderia contar. Isso poderia ter sido mostrado ainda com a narração do jeito que estava sendo feita. Não havia necessidade de ocorrer essa mudança na composição. Mas isso é uma perspectiva bastante particular minha. 

Minha versão de você (capa brasileira)
De qualquer modo, é uma escolha que resolve e dá conta do desfecho da narrativa.

O livro já foi lançado no Brasil pela Hoo Editora sob o título de "Minha versão de você". Eu não curti muito o título português, embora ele dê conta do que acontece na história, que se refere ao texto que Tanner está escrevendo na disciplina de escrita e que é sobre o que ele está vivendo com Sebastian.

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