12 outubro 2017

Fantástico Mundo de Dahl*

Quero começar fazendo algumas perguntas logo de cara.

Você...

Já teve esperanças de comprar uma barra de chocolate e encontrar um Bilhete Dourado para conhecer A Fantástica Fábrica de Chocolate do Willy Wonka?

Torceu pro Bruce, coleguinha de classe da Matilda, conseguir comer todo o bolo de chocolate que a Miss Truchbull o fez comer?

Teve medo de ser transformado num ratinho no meio de uma Convenção das Bruxas?

Se a sua resposta foi positiva para pelo menos uma dessas perguntas – e, provavelmente, foi o que aconteceu se você foi criança na década de 90 –, você teve contato com o mundo criado por uma mente fantástica, mesmo que nunca tenha ouvido falar no seu nome. Esses três filmes, que marcaram a infância de muitos, foram adaptações de obras do mesmo autor: Roald Dahl.

Destaquei essas três obras por serem, talvez, as mais conhecidas, mas outras também foram adaptadas para o cinema: James e o Pêssego Gigante, que foi o primeiro livro infantil publicado por Dahl em 1961, contou com uma adaptação da Disney que também marcou minha infância; O BGA - O Bom Gigante Amigo, publicado em 1982, também teve sua adaptação realizada pela Disney em 2016.

Dá para perceber que, quando criança, estive imersa no Fantástico Mundo de Dahl, mesmo sem saber e sem nunca ter lido um livro dele. Hoje, adulta, e já tendo lido os livros que inspiraram os filmes que me marcaram, me pergunto: o que me chamava e chama a atenção nessas histórias? É claro que os elementos de fantasia me prendiam.

Na verdade, na minha cabeça de criança, tudo nessas histórias eram passíveis de se tornar realidade: viajar dentro de uma fruta gigante carregada por pássaros, ao lado de insetos gigantes e chegar no lugar dos sonhos, assim como James; teletransportar uma barra de chocolate ou mascar um chiclete que equivaleria a uma refeição completa, assim como Willy Wonka mostrou para o Charlie e para as outras crianças; ter meus sonhos de todas as noites colocados na minha cabeça por um gigante legal, assim como Sophie; ver uma bruxa andando pela rua que estaria achando que eu fedia a cocô de cachorro; poder arrumar a sala usando apenas o poder da mente, como Matilda... ninguém me convenceria de que tudo isso não era possível!

Mas talvez de nada adiantasse esses elementos fantásticos se os personagens não fossem cativantes. E como não se conectar com crianças tão doces, mas solitárias, que, ou perderam os pais como James, Sophie e o garoto de As Bruxas (esse é o nome original do livro que inspirou a Convenção das Bruxas, e nele não conhecemos o nome do garoto), ou têm pais relapsos como Matilda, ou são muito pobres e não tem como comprar uma simples barra de chocolate, como o Charlie? Como não se colocar no lugar desses personagens e sentir, junto com eles, um pouco das suas dores. Isso pode ser bem complexo para uma criança, mas me lembro de me apegar a eles justamente pela empatia.


Além da realidade difícil desses personagens, algo que destacava para mim era a representação de personalidades detestáveis em algumas crianças presentes nas histórias. Isso fica bem claro em A Fantástica Fábrica de Chocolate com as crianças que acompanham Charlie na visita à fábrica.

Talvez, naquela época, eu não tivesse consciência disso, mas eu conseguia relacionar a personalidade da Veruca, que é arrogante, egoísta e quer tudo agora e do jeito dela, com a personalidade de coleguinhas da escola. E parando para pensar, não lembro de ter visto na época histórias infantis que mostrassem o quanto crianças podiam ser irritantes, egoístas e até mesmo malvadas.

Talvez tenha sido o meu primeiro choque de realidade de que no mundinho das crianças nem tudo era tão colorido, e que as pessoas que faziam parte dele nem sempre eram boazinhas. É provável que eu já tivesse vivenciado isso na prática, mas parecia ficar mais claro quando visto num filme da Sessão da Tarde.

Daí, eu paro para pensar mais uma vez: será que mesmo com toda a fantasia que encanta, essas histórias talvez não sejam muito duras para serem apresentadas às crianças? Foi dura para mim? Vou ser sincera. Não era fácil ver uma criança sofrer castigos injustos impostos por adultos malucos, mas eu tinha consciência de que isso poderia acontecer na prática. Esse contato com o real, mesclado com a fantasia talvez tenha sido útil para o meu crescimento e não algo traumatizante.

E no fim, as crianças sempre triunfam. Seja com a ajuda dos avós, de colegas de classe, da professora, de insetos ou de gigantes, as crianças dessas histórias sempre superam as adversidades e se realizam com o que amam e ao lado de quem amam e os amam. Tem algo mais cativante que isso?


Como você já deve ter percebido, todas essas obras tem um valor nostálgico para mim e gostaria de ter lido os livros de Roald Dahl quando criança. Hoje, com os livros na minha estante, imagino o dia que lerei essas histórias para os meus filhos, sobrinhos e crianças que estiverem por perto – sim, profetizarei a palavra de Dahl pelo mundo.

De quebra, mostrarei A Fantástica Fábrica de Chocolate, o filme de 1971, com Willy Wonka interpretado pelo saudoso Gene Wilder. Juntos, prenderemos a respiração, faremos um pedido, contaremos até três e iremos juntos in a world of pure imagination...

* Texto de Regina Venturieri.

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Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 
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