31 julho 2017

Não era você que eu esperava, Fabien Toulmé

Não era você que eu esperava (capa)
Não era você que eu esperava, de Fabien Toulmé é uma graphic novel publicada no Brasil pela Editora Nemo e vem abordar a questão da Trissomia 21, mais comumente conhecida como Síndrome de Down, por meio da relação entre pai e a filha recém-nascida.


Totalmente autobiográfica, acompanhamos Toulmé e sua esposa Patrícia desde o início da gestação de Júlia, que virá a ser a segunda filha do casal. As idas aos médicos, no Brasil e na França, e os medos e esperanças desse jovem casal. Principalmente os medos de Toulmé em ter uma filha com Down. Isso é muito marcado nas preocupações do jovem pai, que acaba se descobrindo pai de uma menininha com Trissomia 21 e um problema respiratório causado por um sopro no coração.

Ao descobrir-se pai de um tipo de criança que ele sempre fez de tudo para manter-se distante e que continua a fazer com a própria filha é algo que vai-nos criando dele, mas, conforme vamos vendo a evolução da relação pai e filha, percebemos que o maior problema de Toulmé, além de todos os medos e receios (às vezes egoísta) em relação à filha são pautados no desconhecimento da Síndrome de Down, tanto na teoria como na prática. O fato de também ser alguém próximo afetivamente também colabora para que o preconceito que ele sente vá se dissipando.

Com partes monocromáticas, a graphic novel toca em assuntos muito importantes, não só no que se refere à Síndrome de Down, como a construção de relacionamento entre pais e filhos. Toulmé, embora já fosse pai, no início não consegue estabelecer uma conexão de amor pela segunda filha, mostrando que o amor dos pais (e aqui podemos estender às mães) não é algo automático. E que, mesmo pessoas que se sentem confortáveis ou acostumadas no papel de pai ou mãe podem encontrar dificuldades em ter afeição pelos filhos.

O foco também na figura paterna parece evidenciar outros dois pontos importantes: (1) a condição da mãe em relação à filha é quase que automática na aceitação da condição dela e toda a carga recai sobre ela nos cuidados, como uma ideia naturalizada de que o homem teria que ter o seu tempo para digerir a situação e, (2) que vai de contra o primeiro ponto, que é a de um Toulmé não só que cuida da filha, assumindo assim o seu papel como pai, mas evidenciando algo que muitas vezes não vemos por aí, e que é sempre pauta nos debates feministas, ainda mais quando quem as pauta são mulheres-mães, a ausência paterna nas atividades e cuidados dos filhos.

Diferentemente da graphic novel recentemente resenha aqui, A diferença invisível, Não era você que eu esperava não nos apresenta para além do próprio texto, outras informações sobre a Síndrome de Down e nem tenta ser didática.

Ao incidir mais sobre as experiências do próprio Toulmé em relação à paternidade de uma pessoa com Down, o texto cria uma relação de cumplicidade, que mexe com as nossas sensações, a fim de criar a empatia necessária por toda a situação apresentada.

É realmente uma leitura tocante.

Créditos: Divulgação/Editora Nemo


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