26 maio 2017

Os cem melhores poemas brasileiros do século, Ítalo Moriconi

Os cem melhores poemas brasileiros do século (capa)
Recentemente ganhei o livro “100 melhores poemas brasileiros do século” e, conversando com uma professora de literatura brasileira, chegamos em algumas questões que devem ser consideradas, quando pensamos em coletâneas como esta.

Primeiro o que temos que perceber é que a escolha dos melhores poemas seguem critérios, são estes que norteiam as escolhas e, sabendo quais são, podemos chegar à noção valorativa do poema e dos discursos sobre o literário que o embasam.

O primeiro passo que devemos seguir para chegar nesses critérios e discursos é saber quem é o organizador dessa reunião, no caso, o professor e editor da UFRJ Ítalo Moriconi, que tem mestrado e doutorado em Letras. Ou seja, é alguém que está próximo dos discursos que promovem e mantêm a tradição literária, já que este se encontra dentro de uma das instituições que dizem o que é e o que não é Literatura, a Academia.

Isso se confirma ao observarmos os autores que se encontram listados no sumário e mesmo na capa. São autores que a tradição literária especializada já atribuiu um valor e status ao autor e obra e que se encontram facilmente em diversas outras coletâneas, provas de vestibular e livros didáticos. Não só a escolha dos autores não surpreende, como a escolha dos poemas também reitera um discurso do cânone.

Dizer isso não é considerar que os poemas e os autores não tenham um valor literário em seus escritos, porque os tem e todos já sabemos que assim eles são considerados, como grandes autores e poemas de excelência, o que leva a essa falta de novidade no volume. Se trata apenas de uma repetição de um discurso que há muito circula e que engessa não só o modo como pensamos o literário, mas a própria língua, tendo em vista que estes mesmos autores e mesmos poemas são usados como exemplos de bom uso da língua.

Há ainda outro problema nessa seleção, que é a presença de trechos de poemas, como é o caso de “Cobra Norato”, de Raul Bopp.

Considero problemático a inserção de apenas trechos do poema por conta de dois fatores: (i) seriam só esses trechos as melhores partes do poema?; (ii) como compreender a magnitude de um poema com apenas uma parte dela. Acaba sendo um discurso fragmentado e, no caso de Cobra Norato, deveria ser considerado como um todo, já que se dedica a uma narrativa poética sobre Cobra Norato, é como conhecer uma história apenas por meio de poucos fragmentos, que não dão a dimensão do que realmente é.

Assim, podemos considerar que “100 melhores poemas brasileiros do século”, organizado por Ítalo Moriconi e publicado pela Objetiva, nada mais é que um livro que nos apresenta uma visão muito conservadora da poesia, seja em relação aos autores e aos poemas que apresenta em sua seleção, em sua maior parte.


Outras coletâneas feitas por outras pessoas de outros lugares de fala talvez pudessem apresentar um outro panorama da produção poética brasileira do século, mesmo que com a presença da maioria dos autores que nessa de Moriconi já se encontram.

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Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 
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