13 fevereiro 2017

Garota encontra garoto, Ali Smith

Garota encontra garoto (capa)
Neste curto romance, Ali Smith questiona as forças que movem as pessoas; as engrenagens discursivas e práticas sociais, ao falar do relacionamento de duas irmãs, entre elas e com o mundo que as cerca.

Anthea e Imogen são irmãs. Imogen trabalha na empresa Pura, no setor de criação, onde consegue para sua irmã mais nova uma vaga na equipe em que desenvolve suas atividades.

Já no primeiro dia, Anthea conhece Ifisol, uma menina que se veste como um menino e faz militância contra a Pura. Deste encontro, além de outras questões, ocorre a vontade de se demitir por parte de Anthea. Imogen não entende o que pode ter levado a irmã fazer isso e ainda se preocupa se isso trará consequências para si na empresa.

A divisão dos capítulos é bem interessante: “Eu”, “Você”, “Nós”, “Eles” e “Agora todo mundo junto”, sendo que um dos que mais gostei foi o segundo “Você”, por mostrar a surpresa de Imogen diante a descoberta do envolvimento amoroso entre Ifisol e sua irmã, que trás junto vários pensamentos, questionamentos de uma pessoa que não se relaciona minimamente e pouco sabe sobre questões de sexualidade e afetividade. Ou seja, nos dá mais ou menos a compreensão de como é para uma pessoa se ver diante do diferente.

No pano de fundo desse relacionamento, temos a história de Ífis e Iante, um mito grego.

Ífis nasceu menina, mas foi criada como menino e se apaixonou por Iante, uma colega sua de estudos, sendo nesse amor correspondido. As famílias organizaram o casamento e, na véspera do matrimônio, Ífis sabendo da sua condição de mulher e da vergonha que seria para ela não poder satisfazer propriamente a sua amada Iante, bem como de trazer vergonha para ela e para as duas famílias perante a comunidade, se afastou até uma colina e esbravejou contra os deuses toda a sua angústia e ira pela situação. Ísis, que era a deusa de quem a sua mãe era devota e quem tinha ordenado que Ífis fosse salva intercede novamente em favor da menina e, antes mesmo de chegar em casa, ela já havia se transformado em menino. O casamento é realizado e tudo fica bem.


O mito serve para muitos questionamentos, como a importância da mulher em meio familiar, que nos tempos atuais e por meio das pichações e, posteriormente, pelas ações de Imogen, revelam uma depreciação da mulher, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho. Já no que diz respeito ao relacionamento entre Anthea e Ifisol, a possibilidade de duas mulheres poderem sim estar juntas e se satisfazerem plenamente (ao contrário do que pensam dois amigos de Imogen no começo do livro).

Assim, o que parece resumir a obra é o verbo “questionar”. Questionar o pensamento de que somente um homem pode satisfazer uma mulher. Questionar a posição de homens e mulheres nas empresas e o que os levam a ocupar tais posições. Questionar o fato de uma mulher independente ter que optar por ser bem sucedida ou estar em um relacionamento, ou de um homem que não se comporte com o padrão heteronormativo  de masculinidade de ter uma namorada.

Essa foi a segunda leitura que fiz da autora, a primeira foi um livro de contos “A primeira pessoa”, o qual eu também gostei bastante e recomendo.

A obra também se encaixa como sugestão de leitura para o desafio desse mês de Fevereiro, do #ffdesafiolgbt, que estamos promovendo. Para saber mais sobre o desafio, acesse: http://bit.ly/ffdesafiolgbt

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Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 
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