12 janeiro 2017

Heroínas Negras do Brasil, cordéis de Jarid Arraes

Hoje, apresento aos leitores do Folhetim Felino um trabalho que me emocionou demais. É de uma cearense super engajada chamada Jarid Arraes. Ela é escritora, cordelista e recentemente lançou o livro As Lendas de Dandara.

Atualmente Jarid vive em São Paulo, onde criou o projeto Terapia Escrita, media o Clube de Escrita Para Mulheres e o Clube de Leitura Independente. Também tem publicações em parceria com a Artigo 19 e o Think Olga, além de ter lançado mais de 60 títulos em Literatura de Cordel. Entre os últimos, a coleção Heroínas Negras do Brasil (muitos corações).
Por me reconhecer negra, sinto a constante necessidade de me ver na história. Mesmo que isso signifique olhar para trás e ver vários povos (entre eles, os negros) em posição desvantajosa, precária. Acredito, sim, que lembrar faz parte da construção de uma memória do ontem em direção ao amanhã, ainda que acompanhado de dor. Esse relembrar dolorido e triste é recompensado na esperança pelo melhor, no próprio observar do hoje.

Os cordéis de Jarid resgatam partes da memória negra feminina brasileira, a exemplo a história de como a avó de Zumbi, chamada Aqualtune, chega nos portos do Recife; ou mesmo quando da eleição da Jornalista e Escritora Antonieta de Barros como primeira Deputada Federal do Brasil.

Uma das histórias que mais me chamou atenção (além de Aqualtune, que chega ao Brasil e vira escrava “reprodutora”) é de Carolina Maria de Jesus. Nascida em Minas Gerais de mãe solteira, na idade adulta se muda para a cidade de São Paulo. Sem oportunidades promissoras, foi morar na favela Canindé, teve 3 filhos, mas nunca quis casar “pois queria liberdade pra fazer seu desejar”. Viveu como catadora de lixo e juntava papéis limpos para escrever.

O que mais ela gostava
Era ler, era escrever
Sendo maior passatempo
E registro do viver
Nas palavras mergulhava
Para assim sobreviver
(Trecho do cordel
Carolina Maria de Jesus,
de Jarid Arraes)

Carolina lançou dois livros, mas apenas após sua morte teve algum reconhecimento com a publicação do Diário de Bitita. Mesmo que, ainda em vida, tenha conseguido morar na tão almejada casa de alvenaria voltou a ser catadora de lixo até seus últimos dias.

Ao resgatar essas histórias, e ajudar a (re)construir a memória negra feminina brasileira Jarid Arraes é, ela mesmo, figura de atitude que vale acompanhar. Os feitos dela também devem perdurar.

Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 
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