25 novembro 2016

O Demonologista, de Andrew Pyper

O Demonologista
Darkside Books, 2015
O DEMONOLOGISTA foi lançado em 2015 pela Darkside Books, editora brasileira que é conhecida pela bela editoração de obras macabras e que amamos! Nascido em 1968, Andrew Pyper é autor de seis romances, todos bem colocados mercadologicamente. De escrita direta e fluida O Demonologista tem um ritmo crescente, parece que o leitor vive no clímax desde a metade até o final, de uma forma que o fôlego se vai.

ENREDO
A narrativa é dividida em três grandes momentos. O primeiro introduz o leitor à vida do professor da Universidade de Columbia, David Ulman. Problemas familiares, uma bela reflexão sobre melancolia e uma filha linda chamada Tess, de pouco mais de 10 anos. O segundo e maior momento diz respeito a busca pela qual passa o personagem principal, David. O terceiro momento marca o clímax do clímax – já batia o desespero, preciso saber como isso tudo vai terminar!, dizia eu.

David é professor do Departamento de Inglês da Universidade de Columbia, ele é “especialista em mitologia e narrativa religiosa judaico-cristã” e é conhecido pelo estudo crítico que desenvolve sobre o texto Paraíso Perdido do escritor John Milton, que viveu e publicou no século XVII. Durante o percurso da coisa macabra toda analogias que envolvem os textos bíblicos e o texto de Milton são feitas. Detalhe, para ele, nada é verdade – Deus, Satã, entre outros – tudo é fundamentalmente uma série de estudos de narrativas religiosas e a filosofia que trazem como pano de fundo.

Como quando relembra o assédio de Adão e Eva, ainda no Jardim do Éden, por Satã disfarçado de serpente. Comer a fruta da árvore seria pecado e corromperia aos dois. O motivo disto, segundo Milton, está na árvore como representante do conhecimento e, comer o fruto significaria perder a inocência, a ingenuidade. Tomar posse do conhecimento é poder puro e o Deus onisciente perderia a posição vantajosa do “conhecer e saber de tudo e sobre tudo”. Assim,

“Pode ser um pecado o conhecimento,
Pode ser a morte?” Paraíso Perdido, Livro IV

Aos poucos David fala de vários aspectos da narrativa sobre Satã – desde a rebelião que o expulsou do céu com seus seguidores ao Pandemônio e a criação de uma espécie de conselho para minar os planos de Deus. Um desses aspectos diz respeito a Satã como a figura do conhecimento, relembra Platão quando definiu daimon como “sabedoria”.

Diz David que, enquanto estudava durante a graduação, se identificou com tal personagem.

“Decidi que iria dedicar-me a fazer a defesa desse personagem, desse Satã, como faria a defesa de mim mesmo, também caído, também solitário.”

O professor fala de algumas passagens do Velho Testamento em que o Diabo é colocado com uma espécie de encarregado do próprio Deus. Seria ele o responsável por colocar à prova a fé do homem.

“Um homem bom que tem de passar  por perdas e calamidades para ver se consegue suportá-los e, ao aguentá-los, prova seu amor por Deus”.

No Novo Testamento Satã também é uma criação de Deus, um anjo que abusou da sabedoria. O Anticristo teria se formado a partir da inteligência, não da escuridão, em um ato de resistência. Durante a leitura, Deus parece ser a figura contraditória, sempre amoroso e tirânico.

“A bondade dele é outro nome para Autoridade, uma ordem por escrito de um pai ausente.”

Claro, que tudo isso faz parte das constatações e divagações de David e uma amiga chamada O’Brien enquanto passam por uma dura realidade. Acreditar no inferno ainda pode estar fora de cogitação… Talvez.

JOHN MILTON
Após ler O Demonologista, o leitor fica marcado pela sensação de querer saber mais sobre John Milton. O livro traz um posfácil incrível sobre.

Nele, expõe-se que, ao seguir uma tradição épica, o texto de Milton começa a narrar a história da metade; os personagens, conflitos ou mesmo cenários vão sendo introduzidos ao longo da narrativa. O Paraíso Perdido é do século XVII, mais precisamente foi publicado pela primeira vez em 1667, e a edição considerada definitiva é de 1674, quando foi reorganizado em 12 volumes – ano de falecimento de Milton.

Quem lembra que um dos livros que ajudou na construção do intelecto do Monstro de Frankenstein é  Paraíso Perdido, de Milton? Lindo, não é mesmo?! Frankenstein (1818) é da escritora Mary Shelley, considerada a primeira obra de terror da literatura. O marido da autora, Percy Shelley, “também construiu seu Prometeu como uma tentativa de aprimorar o Lúcifer de Milton”, é o que diz Bruno Dorigatti quem assina o posfácil.

"Milton Dita Paraíso Perdido a
suas Três Filhas", obra de Eugène Delacroix de 1826 
Ele completa dizendo que a influência de Milton chega fortemente aos dias atuais “pelas mãos de Sandman, graphic novel de Neil Gaiman, onde Lúcifer é um personagem e cita o poema (de Milton)”. Paraíso Perdido é inspiração para letras de músicas, peças de teatro, series de TV, obras de arte.


Não há expressão que possa usar, além de leia O Demonologista! É incrível, envolvente, mudanças de perspectivas e inúmeras reflexões podem te acometer. O terror está aí para isso, remexer conceitos de forma profunda e, muitas vezes, desconfortável. Do jeito que a gente gosta.






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