10 outubro 2016

O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding

Capa da nova edição de
O diário de Bridget Jones,
pela Editora Paralela.
Vinte anos passaram desde o lançamento de O diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, e a Editora Paralela relançou edições comemorativas dos romances sobre Bridget, embora não venha com nenhum conteúdo adicional sobre o romance. Apenas uma renovada na capa, já que a tradução ainda é de Beatriz Horta.

A história nos é contada por meio de um diário, como já anuncia o título do romance, e por ele acompanharemos o ano de Bridget Jones, uma mulher solteira, beirando os 30 anos, insegura com o seu corpo e um fracasso em suas relações amorosas. Tudo apresentado de maneira cômica, vemos como se dá o relacionamento com o seu chefe, Daniel, e com as tentativas de sua família e amigos em ajuda-la a desencalhar, já que a perspectiva apresentada é de que é humilhante uma mulher de quase trinta anos não estar casada e com filhos.

Bridget, além do que já falamos acima, sobre sua personalidade, é também desastrada e sem tato para as convenções sociais de interação. Ela é sempre apresentada como uma figura da qual se deve ter pena e risos (que devem ser disfarçados, e que evidenciam o caráter cômico e ridículo da personagem).

Colabora para isso o gênero escolhido para o romance, que é o diário, em que, ao mesmo tempo que temos uma aproximação com a personagem, nos distanciamos dela por conta das inúmeras situações que ali aparecem e que tiram o foco, de certo modo, do tema em si do romance. Por exemplo, a certa altura, ela recebe uma correspondência dizendo que ela deve mais de mil libras. Mas não é apenas a informação de dever que é apresentada, é-nos também dito o valor específico. No momento da entrada do diário há uma enorme preocupação sobre o valor devido e de como ela poderia pagá-lo, mas logo isso é esquecido e não volta em nenhum momento outro do romance. 

De certo modo, esse estilo narrativo nos remete, e é aqui que eu acho essa informação mais curiosidade do que, de modo geral, relevante, ao escritor britânico Fielding, autor de Tom Jones. Fielding é também o sobrenome da autora e Jones o sobrenome da protagonista.

***

Vinte anos depois, com o feminismo defendido por algumas personagens no livro mais em evidência e o aumento no número de pessoas que são solteiras e dedicam seu tempo ao trabalho, há ainda o riso fácil da situação da personagem.
Talvez seja pela identificação e ela acabe funcionando como um veículo de olhar para si mesmo e perceber o quão ridículos somos por pensar, muitas vezes, desesperadamente que precisamos estar em um relacionamento, sermos magros e estarmos antenados em todas as novidades, que hoje em dia saem de minuto em minuto, praticamente. Ou por ainda acreditarmos que ela é um fracasso enquanto pessoa, que não consegue estabelecer um relacionamento fixo.


Ao lado disso, vemos situações como as que envolvem seus pais e os comentários sobre os relacionamentos dos amigos e vamos percebendo um padrão. A solidão e a vontade de estar com alguém, seja esse sentimento superficial (por ser uma demanda mais social que individual) ou não, não são exclusividades da personagem, mas algo que está infiltrado em todos os relacionamentos com os quais vamos sendo apresentados.

Acho importante pensar essas situações sobre o porquê o vivido pela personagem se mostra como engraçado, embora não deixe de ter em mente que a leitura não deva ser perturbada por essas questões, já que faria perder de vista o romance pelo que ele é: uma comédia, algo que serve para, a priori, nos fazer rir e deixar o tempo passar com o fruir da leitura.

E, é pensando nesse fruir e, depois no o texto me levou a considerar sobre as experiências vividas pela personagem, que eu considero O diário de Bridget Jones, algo divertido e interessante. Super recomendado.

Você pode adquirir o livro por meio desse link da Amazon http://amzn.to/2e2HCDf e assim contribui com uma pequena comissão de venda para o Folhetim Felino.

Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 
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