03 outubro 2016

Luz, O deus do Horror, de Andrei Simões

Andrei Simões é escritor paraense e este é o terceiro livro impresso da carreira. O livro aborda a temática religiosa com um olhar peculiar, deixando as conclusões para o leitor. 

Através de situações do cotidiano, somadas a fatores sobrenaturais e obscuros, Andrei nos mostra o horror da violência humana. Violência esta que busca satisfazer uma espécie de deus mau, que inspira medo.

O autor falou ao Folhetim Felino e afirmou que não há indicação direta a uma religião específica devido a cada uma, a sua maneira, ter elementos em comum como o controle pelo discurso e circulação dele. Por isso, sempre deus com a letra "d" minúscula. 

Um livro que vale a pena ser lido por mostrar uma universalidade inteligente, tanto na linguagem quanto nos ambientes. Ao leitor cabe identificar alguns desses lugares (físicos ou da mente), que pode ser próximo a sua casa, em qualquer país e a qualquer hora.

A narrativa é conduzida por anjos do medo, que são enviados pelo deus da Luz para buscar seu alimento, a dor. Quem testemunha e também sofre durante esse processo é Nina, ela é o elemento que interliga acontecimentos e, ao tentar levar ajuda a um amigo, o mundo se mostra cru como é.

O espantalho, a boneca, a fera ou mesmo um quadro estranho, são apresentados em situações grotescas e essenciais durante a narrativa que faz uma homenagem a estética e a escrita do horror das quais o autor é forte pesquisador. Por ser biólogo e mestre em comportamento animal, um olhar holístico quanto as espécies e a convivência entre elas também é visto, sempre muito reflexivo.

“Tinha diante de si baratas, idênticas às Periplaneta americana, a típica barata urbana […]: o que deveria ser o seu exoesqueleto formado de quitina, aquele material duro e resistente que soa como mastigar uma torrada quando as esmagamos em nossos calçados ou vassouras de espécie superior, havia um misto de algo semelhante à pele, misturado ao material quitinoso. E elas eram gigantescas, parcialmente de carne.”

O texto tem capítulos com histórias com início, meio e fim, que são interligadas por personagens que têm suas vidas cruzadas a certas alturas, forte crítica social com influências que perpassam por Clive Barker e Michel Foucault. A cada início de capítulo há ilustrações do jovem paulista Eduardo Seiji, seguido de pequenos trechos que ajudam a ambientar o que vem pela frente. Gosto muito quando o autor cita Clive Barker.

“Cada corpo é um livro de sangue; sempre que nos abrem, a impressão é vermelha” Clive Barker

Há também a presença da expressão Aquele que Lê, em algumas situações, havendo a quebra da quarta parede em um momento muito importante da narrativa, qualquer coisa que eu fale sobre isso pode estragar a experiência do leitor. Então, o que posso dizer é que ter a sensação de fazer parte de uma história escrita e aparentemente concluída é surpreendente. O autor deixa os espaços certos para que o leitor participe da narrativa que foi feita, segundo ele, para a incitar a reflexão dos valores humanos quando o mundo parece atacá-lo com toda a brutalidade que aí está.

“Luz, O deus do Horror” é da Twee Editora, tem 219 páginas e edição gráfica e editorial de Flor di Maria Fontelles. Horror urbano, divertido, surtado, nos faz enfrentar o grotesco de uma forma positiva, nos faz reavaliar valores, os mais profundos.

Leia a introdução do livro aqui. Compre o livro aqui.

A obra será lançada no dia 4 de outubro, às 18h, no SESC Boulevard, em Belém. O Folhetim Felino vai conferir tudo.

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