10 agosto 2016

O Mundo Perdido, Michael Crichton

O mundo perdido, Michael Crichton
(capa da nova edição, 2016)
Seis anos se passaram desde os terríveis acontecimentos no Jurassic Park. Seis anos, desde que o sonho extraordinário, nos limites entre a ciência e a imaginação humana, acabou se tornando um trágico pesadelo.
A Isla Nublar não era o único lugar usado por John Hammond em suas pesquisas genéticas de ponta. Agora, o matemático Ian Malcolm e uma equipe de cientistas – além de certos “pequenos clandestinos” – devem explorar outra ilha na Costa Rica, repleta dos mais perigosos dinossauros que já caminharam pela Terra.

Nessa continuação vamos acompanhar o retorno de personagens como Ian Malcolm e Dodgson e a apresentação de novos, como a etóloga Sarah Harding, Doutor Thorne e, como de praxe, as crianças Kelly e Arby, bem como os desdobramentos das teorias sobre o Caos, que foram iniciadas em Jurassic Park.

Sim, embora o livro se utilize de dinossauros, eles são apenas o meio pelo qual Crichton encontrou para poder discutir teorias sobre o Caos, isso já havia ficado muito claro no primeiro livro, embora aquele se detenha no fato de que não há como se prever todas as variáveis de um experimento na escala que é feita no parque. Nesse primeiro momento, temos a constatação que a vida busca uma auto-organização de seu sistema, que foge dos padrões e caminhos pré-estabelecidos. Assim, temos que a vida não pode ser controlada.

Em O mundo perdido será discutida as possíveis teorias sobre extinção, de novo com a imagem de dinossauros como exemplos ilustrativos.

Descobre-se que em um das ilhas usadas para a pesquisa que produziram os dinossauros do Parque de Hammond há criaturas remanescentes, que naquele meio criaram uma espécie de Mundo Perdido, cenário ideal, já que sem qualquer interferência se constituiu como deveria ter sido há milhares de anos atrás.

É para lá que a equipe de Malcolm, Thorne, Eddie e as crianças, Kelly e Arby, se dirigem a fim de resgatar o Dr. Levine – um rico e teimoso estudioso de dinossauros que resolveu investigar a ilha sozinho -, logo depois se juntam a eles Sarah Harding. Na ilha também estarão uma equipe liderada por Dodgson, o que mostra que a política de roubos em empresas de biotecnologia, já apresentada no primeiro livro ainda continua.

Recheadas de referências às teorias evolucionistas, desde a proposta por Darwin da adaptação e especialização da estrutura anatômica, passando pelos estudos genéticos iniciados com a pesquisa com ervilhas de Mendel até chegar a teorias comportamentais, vamos aprendendo um pouco sobre como os dinossauros da ilha agem no mundo sem serem controlados.

Novamente as estrelas desse livro são os velocirraptores, que se comportam como adolescentes rebeldes; como os adolescentes rebeldes de Laranja Mecânica, que saem em bando para roubar e fazer bagunça pela Ilha. E, embora você possa vir a imaginar que isso na condiz com a imagem desses lindos dinossauros apresentada no primeiro livro, há uma boa explicação sobre isso. Aliás, o livro inteiro me pareceu ser uma explicação para esse tipo de comportamento que leva a evolução e prováveis mecanismos que também podem levar a extinção, já que, ao mesmo tempo em que o livro resolve ter como foco a extinção, ele acaba falando sobre a vida e os modos pelos quais ela evolui.

Há muita coisa legal nesse livro que se refere à ciência, mas o que me surpreendeu foi a construção da personagem Sarah Harding.

Sarah é uma mulher forte, que se basta e é super inteligente e que se torna para Kelly um exemplo a ser seguido, já que ao redor da menina há constantemente a circulação de discursos que diminuem o papel feminino. Mas, se entre os dinossauros as estrelas são os rebeldes e malvados raptors adolescentes, entre os humanos é sem dúvida nenhuma a figura de Sarah, sendo logo seguida por Kelly.

E por falar em Kelly, só teve uma coisa que eu achei que não fizesse muito sentido. Embora ela e Arby tenham sido assistentes de Levine e considerados bastante inteligentes para a idade deles, no primeiro momento é o menino que parece ser o gênio da computação, todavia os papéis em determinado momento acabam se invertendo e de uma forma que parece que Arby sempre foi dependente dos conhecimentos de Kelly no que se relaciona a computação. Talvez seja pelo que acontece com ele, algumas horas antes, mas ainda assim é algo que me causou estranhamento no que se refere à construção da personagem.

Voltando ao papel das mulheres nesse segundo volume, me parece que é uma resposta (sem intenções) de Crichton, as considerações que Marcelo Hessel, do site Omelete, fez a Jurassic Park, no posfácio que acompanha a nova edição do livro, também pela Editora Aleph.

No mais, o livro, por ser uma sequência abordando os desdobramentos do primeiro livro acaba sendo algumas vezes mais explicativo, o que não implica que ele não tenha muitas cenas de aventura e perseguição, porque há! E elas são muito loucas!

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