26 agosto 2016

O Castelo de Otranto, H. Walpole

No texto de estreia desta coluna, em que falei um pouco sobre os principais marcos para a história da literatura de terror, citei o romance O Castelo de Otranto como um precursor do gênero.

O Castelo de Otranto, Horace Walpole (capa).
O romance é do ingles Horace Walpole e foi publicado em 1764. Nele, o autor coloca como personagem central, e pela primeira vez, um castelo. A característica arquitetônica gótica do castelo; com seus altíssimos portões, torres, janelas com vitrais, além de salas e mais salas; faz dele fonte rica para a imaginação.

O Professor, e Doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, Ariovaldo José Vidal é quem faz a tradução da edição que tenho em mãos, publicada em 2010 pela editora Nova Alexandria. Na apresentação do livro, também assinada por ele, vemos que o romance gótico foi inaugurado com esta obra, também conhecido como romance sobrenatural. Para ele, a narrativa criada por Walpole “levou ao extremo as fantasias e os terrores que, desde tempos imemoriais, vêm tirando o sono de leitores e ouvintes”.

A família de Manfredo, atual Príncipe de Otranto, é moradora do castelo. Segundo uma profecia, muito falada por aí, o castelo passaria da família de Manfredo muito em breve, assim que “o verdadeiro herdeiro estivesse grande o suficiente”. O Príncipe, cada vez mais preocupado com a tal profecia, quer casar o único filho o mais rápido possível. Conrado se prepara para o casamento com Isabela, mesmo com a saúde muito frágil resiste até que algo muito estranho acontece. O romance consegue surpreender a cada momento, é muito chocante para os padrões da época. Nada de muito bonito, que era o esperado, vem a seguir.

Um dos motivos por ter sido também considerado revolucionário, socialmente falando, é o fato de os serviçais, escravos, damas de companhia, serem aqueles que praticamente conduzem a coisa toda. São eles que, na maioria das vezes veem algo muito estranho acontecer, que contam para seu corajoso Príncipe o ocorrido e fazem comentários sobre tudo de forma cômica e divertida, com muita personalidade.

No prefácio para a segunda edição do livro, Walpole rebate à algumas críticas. Aparentemente a aristocracia leitora inglesa não gostou do aspecto citado acima. Tratavam com impaciência as falas dos serviçais, queriam ir logo para o “importante”, as falas das princesas filha e esposa de Manfredo e toda a pompa que as acompanhava.

“Em minha humilde opinião, o contraste entre o sublime de um e a simplicidade de outro revela o patético que existe no primeiro, sob uma luz mais intensa.” H. Walpole


Ainda sobre as críticas que recebeu, devido a isso, diz ele ter honestamente copiado Shakespeare nesse aspecto.

“Deixe-me perguntar se suas tragédias de Hamlet e Júlio César não perderiam uma porção considerável de seu espírito e de suas maravilhosas belezas, se o humor dos coveiros, as parvoíces de Polônio e as pilhérias desajeitadas dos cidadãos romanos fossem omitidas ou então travestidas de tons heroicos.” H. Walpole

A discussão mostra a pessoa a frente do tempo que era o autor. O Castelo de Otranto revela relações políticas e de poder deturpadas pela mentira, de romances entre casais clássicos de sangue nobre – que aqui não vão muito bem, tudo isso conduzido pelo sobrenatural – aparições de espíritos que vêm alertar e colocar ordem a bagunça que é resultado de curvas suspeitas no passado não distante da família de Manfredo.

O livro tem 151 páginas que valem a pena serem lidas. Vê-se nelas a origem de traços e estilo que se repetem muitas vezes até hoje, e que adoramos conferir por ser a reinvenção e atualização do gênero, o que mais se procura.

O livro foi publicado pela editora Nova Alexandria e pode ser adquirido aqui. Ao comprar através do link indicado você colabora com uma pequena comissão para o Folhetim.

Gostou da dica de leitura? Já leu o livro? Comenta aí embaixo e vamos conversar! 

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