01 agosto 2016

1984, George Orwell

1984, de Geroge Orwell, era a última distopia clássica da trilogia – composta por ela, Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury –, que faltava para eu ler, e, sinceramente, está junto com Admirável, na minha lista de livros mais incríveis lidos.

A distopia conta a história de Wiston, um funcionário do partido externo da Ocêania, um dos grandes blocos formados após as Grandes Guerras Mundiais, que percebe problemas na estrutura (e se incomoda com isso) na forma como o Partido governa a vida das pessoas.

A Governança se dá por meio da constante vigilância das pessoas e, principalmente, pela ideia de que elas são vigiadas. Afinal, elas não têm como ter certeza se estão mesmo sendo vigiadas, o que leva a elas mesmo se vigiarem, a fim de que não cometam nenhum pensamento-crime.

São os pensamentos que são levados em consideração nessa obra, porque ele é gérmen de toda a ação que o sujeito pode vir a tomar. É o pensamento que leva as pessoas fazerem coisas erradas, logo elas têm que evitar pensar algo que seja diferente do que é apresentado a elas.

Seguindo essa linha, de que o pensamento, a ideia e o fato que se mostra têm que ser sempre coerentes, que o Partido, além de vigiar as pessoas, manipula o passado.

A explicação para tudo isso é fantástica! Orwell consegue criar uma linha ideológica muito convincente, sobre a ideia da manutenção da guerra, da manutenção da vigilância, da separação dos corpos e dos sentimentos e tantas outras coisas, que é acaba sendo desconcertante de tanto sentido que faz.

Pareceu de longe a distopia mais completa da trilogia e também podemos perceber a influência que ela teve sobre as outras em vários aspectos, principalmente no que diz respeito à linguagem, algo que parece ter se perdido em relação às distopias atuais (embora não de todo).

A sensação que se tem é que, na consciência dos autores, a grande chave para o controle das pessoas é a linguagem. É a linguagem que nos permite formar imagens mentais das coisas, formular abstrações, ou seja, pensar. Pensando, questiona-se.

Isso fica evidente na tarefa de Wiston, de reescrever notícias ou do seu amigo em fazer a nova edição do dicionário da Novafala. Em Admirável, temos o modo como à mente é moldada por meio de coisas ditas durante o sono das crianças, no trabalho publicitário e na ausência de livros. A ausência de livros de forma mais radical, por meio de sua destruição, e a necessidade de se ter homens-livros são o que temos em Fahrenheit.

1984 é um daqueles livros que não nos deixam saída, não nos apresentam um final nem um pouco que seja esperançoso. Ele nos confronta ideologicamente sobre as ações do Estado, sobre como agimos para com o outro e suas liberdades individuais, bem como as ideias que temos sobre o passado, família, amizade e mesmo o amor; e nos dilacera ao fim.
A melhor leitura do ano até agora (e acho difícil ser superada).

Já leu 1984? Não? Quer ler? Deixa um comentário e vamos conversar.
Ah, tá rolando sorteio de livros, para participar, basta preencher este formulário e seguir todas as regrinhas descritas nele.

Não deixe de curtir a nossa página no FB e de se inscrever no nosso canal do youtube.

Um comentário:

  1. Ainda não li, é uma grande falta realmente. Mesma linha de pensamento foucaultiano.

    ResponderExcluir

Ronrone à vontade.