29 julho 2016

O medo e a literatura + Sorteio (Resultado)

O medo é essência humana, é o botão que faz ligar todos os sistemas de alerta do corpo. Originalmente usávamos as reações trazidas pelo medo para correr. Sim, correr! Para dentro de abrigos, para não virar presa, para longe dos inimigos. Convivemos com o medo há tempos. Naturalmente, do que não conhecemos temos medo, receio. Do que conhecemos reflete certa segurança e algum conforto.

O purgatório Ilustração do francês Gustave Doré
em A Divina Comédia (1868)
Depois de falarmos sobre nossos medos nas tavernas e ruas escuras de um velho mundo, ou mesmo ligados a fenômenos naturais ou não, a mídia escrita foi a primeira em que o homem fez esses registros. Acredito que isso acontece desde que um dia alguém resolveu registrar situações quotidianas nas paredes de cavernas, simples registro ou mesmo ligadas a representações mágicas de domínio das presas. O século XVIII, e a instalação e propagação das ideias iluministas, colocou em movimento as verdades, os olhares, a posição do homem em relação a si. O medo de ser pequeno e comum pode ter-nos feito nos colocar no centro das coisas.

Há que se distinguir terror de horror. São eles gêneros muito confundidos, mas como separá-los?

Terror é a sensação de ser surpreendido por algo desconhecido, todo o ambiente que apavora, que faz pensar em todas as possibilidades explicáveis e, ainda assim, ter medo por acreditar que, no fim de tudo, dali aparecerá qualquer coisa que não caiba no racional. Horror é o que se vê sem filtros, está na sua frente com todas as suas características mais reais. Terror é expectativa, horror é a resposta para ela.

Robert De Niro como a criatura  no filme 
Frankenstein de Mary Shelley
de Kenneth Branagh (1994)
Imagem: Divulgação IMDB
Na literatura, elementos do terror são vistos desde, por exemplo, A Divina Comédia de Dante Alighieri, dividida em três partes: inferno, purgatório e paraíso. Porém, o precursor do gênero é de 1764, O Castelo de Otranto, um romance do escritor inglês Horace Walpole. A obra trouxe uma mistura do fantasmagórico, do sobrenatural em consonância aos questionamentos psicológicos das personagens humanas. É considerado um romance gótico por ter como ambiente principal o castelo onde mora uma família, porém o protagonista da narrativa é o próprio castelo.

Os pesadelos reais da humanidade na convivência, muitas vezes difícil, com o outro estão presentes também nos contos de Charles Perrault e nos contos dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm.

Mais a frente, em 1818, Mary Shelley marca seu nome na história da literatura, inaugurando o gênero terror com Frankenstein. O romance conta como Victor Frankenstein lida com sua criação que tem aparência bizarra, mas o caminho e descobertas dessa criatura é um dos mais amados dos leitores dos clássicos. É clara a presença do fantástico, contudo algo de científico está ali no momento em que Victor dá vida a um corpo inanimado e, por esse motivo é também considerado a primeira obra que faz referência a ficção científica.

The Best Weird Tales of H.P. Lovecraft,
Edição Comemorativa, Orion Books (2008), Inglês
Da segunda metade do século XIX vem o escritor norte-americano Edgar Allan Poe. Conhecido pelo escancarar do horror, ele é pai da estranheza e do gênero policial. Em 1890 nasceu o escritor também norte-americano H.P. Lovecraft, já no início do século XX inaugura uma espécie de terror cósmico, com seus personagens antinaturais e de origens diferentes da do homem terrestre.

O medo está lá nas obras de terror e horror, que ele seja explorado e sirva como elemento de reflexão. A filosofia do terror e do horror desde sempre é mostrar-nos as verdades através de grande impacto. Não é fácil, é desafiador. Tente.



SORTEIO



Para comemorar a estreia da coluna de Terror, sortearemos dois livros do autor paraense Andrei Simões: "Putrefação" e "Zon, o rei do nada".

RESULTADO: Anice Santos Da Silva

Para participar é preciso:

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