05 julho 2016

A comissão chapeleira, Renata Ventura

A Comissão Chapeleira (capa).
Segundo volume da série A arma escarlate, já aqui resenhado, em A comissão chapeleira temos o retorno de Hugo à Korkovado para cursar o seu segundo ano, depois de ter passado as férias trabalhando e morando com a família de Caimana.

Esse período é também o momento de eleições presidenciais do povo bruxo brasileiro e é o teor político que ditará todo o desenrolar do romance.

Logo no início, uma reviravolta no curso político do país fará com que a vida dos estudantes seja afetada de uma forma dramática, o que vai mostrar toda a desenvoltura de Renata ao abordar os assuntos políticos, que, mais de dois anos depois do momento em que foi publicado, faz extremo sentido nesse 2016.

Um governo que começa a interferir de forma incisiva na condução das escolas bruxas, não apenas por meio das disciplinas que devem constar nos currículos, mas na maneira como os professores conduzem suas aulas, como os alunos se comportam fora de sala de aula e no modo como eles devem se vestir; com sanções e punições aos que discordam das políticas adotadas.

É um ano em que também vamos acompanhar o desenvolvimento amoroso por parte de Hugo, algo que nos é muito palpável na forma como é conduzida as situações e os pensamentos e ações da personagem. Hugo não é um menino bobo que não sente desejos sexuais ou que são mascarados e velados nas entrelinhas.

Esse desejo de Hugo, percebo como algo muito positivo dentro da construção do romance, pois primeiro não toma os leitores como ingênuos e dá a verossimilhança necessária para a obra. Além, é claro, por possibilitar trabalhar com temas importantes, como o caso do machismo que vamos percebendo no comportamento do nosso protagonista, que vai se contrapondo com o emponderamento de Janaína, uma das melhores (se não for a melhor) personagens desse segundo volume.

Hugo, além de ralar com as questões amorosas e o seu machismo com Janaína, também passará um bocado com o remorso pelos acontecimentos do ano anterior. Aliás, confesso que no começo do romance achei bastante exagerado e desnecessário tantas retomadas a esse remorso, principalmente no que se refere ao Eimi. Ainda bem que isso vai reduzindo com o decorrer da trama.

E isso tudo se emaranha no posicionamento político que vai se estabelecendo na escola. Permanecer ao lado da Comissão Chapeleira, que passou a controlar o colégio ou fazer de tudo para desmoraliza-la?

Mas, mais do que isso, perceber que mais do que posicionamentos diferentes, é o que tem em comum entre aqueles que lutam pela liberdade com aqueles que fazem de tudo para instituir uma ordem, por meio da repressão.

Vale tudo para se conseguir alcançar os objetivos? Quais os preços que são pagos pelas nossas escolhas?

Escolhas. Escolhas que Hugo e as demais vão tendo que fazer e aprender com as consequências que elas trazem e que, por isso, antes de serem tomadas devem ser bastante ponderadas. O flerte com o poder pode ser catastrófico. A decisão de se manter de olhos fechados para o que está acontecendo também.

A comissão chapeleira é um livro muito mais adulto, com as suas 655 páginas e letras pequenas e espaçamento mínimos, como das edições econômicas. Bora mudar isso aí, Novo século! Eu sou míope e atrapalha um bocado a leitura.

No mais, tem um dos capítulos que eu mais gostei dos dois livros, que é o que conta a história da família real e o modo como se dá a passagem do cargo de diretor da Korkovado e o porquê da instutuição do Conselho Escolar.


N’A comissão chapeleira, novamente percebemos que não uma divisão muito certa do bem e do mal. Também vai se delineando quem seria o real adversário de Hugo, ou pelo menos já nos dá pistas dos possíveis inimigos que lutarão pela varinha com fio de cabelo de curupira.

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