22 junho 2016

Vamos falar sobre cópia?

Na última resenha, sobre o livro Caim, o último vampiro, de Georgina Cavendish, foi dito nos comentários que ela teria copiado a ideia do enredo de seu livro de um outro livro, de RPG, intitulado Vampiro: A máscara, da década de 90.

Primeiro que acho problemático dizer que houve cópia de um livro, já que não sabemos se a autora o conhece, segundo que nem mesmo a ideia vista em Vampiro: A máscara, deve ser original.

Há muitas histórias acerca essas criaturas sobrenaturais, e sei que dentre elas a de Caim como vampiro é uma delas. O Vampiro encontra-se em nosso imaginário, fora que há uma grande diferença entre usar uma ideia posta e copiá-la. Livros de RPG, por mais que contem uma história, tenham enredo, personagens e todos os outros elementos narrativos se constituem como uma outra coisa que não um romance ou uma novela, como é o caso do livro de Georgina.

Para além disso, é necessário observar que a literatura é um emaranhado de ideias copiadas e executadas de maneiras distintas. Executada é a chave para a compreensão aqui. Shakespeare escreveu a peça Otelo, e Machado de Assis o romance Dom Casmurro. Ambos se aproximam na temática da traição e tem mesmo personagens que se identificam um com outro nos textos, mas não é uma cópia. O mesmo poderia se dizer de Romeu e Julieta, também de Shakespeare, que teria sido fonte de inspiração para Amor de Perdição, de Castelo Branco, que no fim acaba se configurando quase como um triângulo amoroso, com a mudança no destino de Mariana dentro do romance português. Ainda em romances portugueses, há quem diga que Primo Basílio, de Eça de Queirós, é uma cópia do romance francês Mme Bovary, de Flaubert. No Brasil, Lucíola, de Alencar, é tido como uma cópia de A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho.

Embora todas essas obras citadas apresentem plots/ leimotifs muito parecidos, a execução deles é bem diferente, primeiro por que conta com o estilo do autor e depois porque há inserção de elementos com os quais esse autor não tem como ter controle, que vão desde uma organização sintática ou escolha de palavras, como elementos que vão surgindo na narrativa.

Imaginemos a Literatura sem isso, de ideias que são reaproveitas e de histórias que são recontadas de maneiras diferentes. Imaginou? Percebeu como isso nos faria não termos mais literatura, já que não há como se fugir do que já está posto, há apenas modos de se recontar e organizar as histórias.

Não li a novela de Georgina e desconheço se ela conhece esse livro mencionado nos comentários, que eu mesmo desconhecia a existência. Portanto, não posso afirmar o quanto de cópia ele teria. Mas bem, se formos acusar e impedir que ideias fossem copiadas, não apenas a literatura acabaria, mas praticamente todas as atividades humanas.

Para encerrar, a utilização de uma ideia não configura qualquer tipo de plágio e muito me impressiona que pessoas que estão ligadas ao meio literário, não só como leitores, mas como escritores, fiquem apontando textos outros como cópias, quando sabem muito bem que a literatura sobrevive e muito dessas ideias retomadas. Aliás, há um outro livro por aí em que Caim também é colocado como vampiro e é de uma autora estrangeira...

Ah, tá rolando sorteio de cinco livros pra cinco ganhadores, lá no canal do youtube.


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4 comentários:

Ronrone à vontade.