09 junho 2016

L'Étranger, Albert Camus


No mês de maio, o desafio que escolhi pra cumprir, dos propostos pelo Grande Desafio do Culto Booktuber, foi o de ler um livro em língua estrangeira. No mesmo mês, a minha professora do curso livre de francês pediu que lêssemos o livro L'Étranger, de Albert Camus, para que fizéssemos um seminário como avaliação final do semestre. Então, uni as duas propostas e é sobre o livro de Albert Camus que falarei na postagem de hoje.

Lançado em 1942 e adaptado para o cinema em 1967, O Estrangeiro, título do livro em português, narra a vida de Mersault, que já nas primeiras linhas nos informa que sua mãe faleceu e ele, ao nos contar isso, não sabe informar ao certo o dia exato da morte, bem como nos parece bem alheio aos sentimentos de perda.

"Alheio" é talvez o que define Mersault. Ele é um sujeito que parece entender a vida de maneira muito prática e objetiva. Entende o que as pessoas sentem, mas não desenvolve empatia, nenhum movimento de conseguir se colocar no lugar do outro, de verdade. Ele é quase um animal vivendo de seus instintos. E isso, para Sartre, em sua crítica sobre a obra presente no volume Situações I, e para o próprio Camus insere a personagem na questão do absurdo. Ele é um homem absurdo, que não desenvolve nenhum traço de alteridade, que leva uma vida extremamente prática e que não se revolta após ser condenado à morte por ter matado um homem.

Toda essa falta de sensibilidade de Mersault, que chega até a responder que não ama a mulher que isso lhe indaga depois de terem passado momentos íntimos, é visto não apenas nesses fatos narrados, como também na forma como Camus escolheu fazer a narração, em primeira pessoa se utilizando do pretérito perfeito composto em francês, o que gera um distanciamento, como se Mersault fosse um observador de fora, como se ele fosse nós que lemos.

O efeito que isso causa no leitor, ou pelo menos foi o que aconteceu comigo, foi o de espelhamento. se Mersault, por ser um homem absurdo, não desenvolve nenhuma empatia pelos que estão ao seu redor, nós não conseguimos (eu não consegui) desenvolver também nenhum sentimento por ele. Ou seja, a relação estabelecida com o romance é árida e seca, como se estivéssemos, talvez, a ler um tratado filosófico ou alguma outra matéria que não mexe com as nossas paixões.

No entanto, imaginar que isso seja algo de negativo em relação à obra é um engano, esse efeito nos causa incomodo, claro, mas também é o que nos leva a perceber o brilhantismo da escrita, que, de certo modo, também nos transforma em homens absurdos.

Aliás, algo que sempre me chama atenção em romances e narrativas em geral é a falta de nomes próprios para personagens, que geralmente vem com um título, nome de família ou qualquer outro termo que não pessoalize o indivíduo, jogando-o assim no mar das possibilidades de que qualquer um poderia ser aquela personagem, já que ela "não é" alguém, um indivíduo personalizado, com uma face bem delineada.

É claro que, como li o livro em francês e ainda não tenho grande fluência, coisas do texto acabaram se perdendo durante a minha leitura, que foi feita em um arquivo em .pdf, mas acredito que as sensações e o grosso da narrativa foram capturados adequadamente, o que ainda verificarei quando apresentar o meu trabalho sobre a obra no curso de francês.

E é isso, desafio do mês de maio foi cumprido!

Você pode adquirir o meu conto "O que você deseja?", na loja da Amazon.

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Um comentário:

  1. Adorei seu post de O Estrangeiro, de Camus. Já lí este livro 2 vezes e pretendo le-lo de novo.
    Sua resenha é uma beleza. Parabéns!
    ps. Também tenho um blog de literatura ( www.bibliotecadomurilo.com) dê uma visitadinha lá!
    Murilo Morhy Junior

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