15 junho 2016

1+1 A matemática do amor, de Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos

1+1 A matemática do amor,
Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos
1+1 A matemática do amor, escrito a quatro mãos por Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos e publicado pela Faro Editorial, é um romance nacional  que narra a descoberta de mais que um sentimento de amizade compartilhado por Lucas e Bernardo, desde que estavam na barriga de suas mães, quando este é informado pelos pais que se mudará para Portugal.

Esse é mais ou menos o plot desse romance que já me deixou emocionado desde os dois prólogos, em que Lucas e Bernardo falam sobre a amizade deles.

É muito bonito ir acompanhando não só o que os meninos fazem nessas últimas semanas que eles têm juntos, mas também na lembranças que eles rememoram sobre como a amizade foi construída no decorrer dos anos.

Também é interessante perceber como os conflitos são trabalhados de uma forma bastante sensível e sem deixar a problematização, mesmo que por meio de frases de efeitos, do preconceito e as coisas que ele leva as pessoas a fazerem e as consequências disso.

E, sim, já comecei o romance “ai, meu deus, quanto amor” e lagrimando e continuei achando tudo muito fofo. Porém, confesso que a princípio eu ficava um pouco confuso com as mudanças de narrador nos capítulos, mesmo eles sendo alternados entre Lucas e Bernardo e isso sendo identificado no início de cada um deles.

Talvez a explicação pra essa minha confusão tenha sido no modo como os capítulos apresentam os diálogos das personagens. No começo eu achei a construção deles um pouco mais engessada e travada nos capítulos do Bernardo, principalmente nas falas em que se referia ao que Lucas falava. Essa referenciação me parecia um pouco artificial dentro do todo narrativo. Contudo, essa sensação passou logo nos capítulos posteriores e tudo ficou bem mais fluido na leitura.

Outra coisa que me parece um pouquinho surreal é o fato dos pais saberem do que rola entre os meninos e ainda serem aqueles que no final dão aquele empurrãozinho pra eles se libertarem e se jogarem nesse amor. Isso, de certo modo, me lembrou um pouco o romance Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo, do Benjamin Alire Sáenz, publicado pelo Seguinte do Grupo Cia das Letras.

Não sei se isso seria uma situação que aconteceria, pode ser que nesse caso específico, assim como no de Ari e Dante, sim, devido ao fato de os meninos serem bastante amigos e há muito tempo. Que os pais consigam entender esse tipo de sentimento também me parece ser bem plausível. O que não me parece ser muito comum é não ter a problematização deles presente nesses textos. É sempre uma coisa de “já tínhamos percebido e ficamos quietos, mas ‘ó, tá tudo bem’”.

Acredito que há muito mais profundidade nesse ponto que poderia ser trabalhado e que deixaria até muito mais rica a construção da história de amor entre esses meninos, afinal, o núcleo de pessoas ao redor deles é bastante limitado. Lucas, por exemplo, não tem amigos e Bernardo, embora seja mais popular, só estabelece relações mais superficiais, o que também é um pouco incomum.

Mas isso são considerações que ultrapassam o meu sentimento em relação ao romance de Augusto e de Vinícius. São comentários que acabam pensando muito mais o que se tem produzido enquanto literatura para jovens adolescentes, de um modo bem mais geral.

O que eu senti durante a leitura do romance foi amor e até um pouquinho de inveja do Lucas e Bernardo, pelo cuidado que um cultiva no outro, independente de ser amor ou amizade. Aliás, uma das coisas que eu mais gostei foi justamente essa descoberta e esse amor desenvolvido no decorrer dos anos e dentro de uma amizade, que foge desses encontros e descobertas de pessoas que surgem em nossa vida e acabam fazendo as personagens se apaixonarem. Mostra que o amor é um coisa cultivada, que leva tempo pra ser sólido.

E, em tempos de redes sociais, aplicativos em que você pode escolher diversas pessoas pra flertar e de perfis que já saem logo dizendo que só querem papo pra namoro sério, acho que é muito válido voltarmos a essa percepção do caminho que é percorrido para a construção de um sentimento como a amizade e o amor.

Ah, a edição é lindona! Confesso que fiquei meio chocado com o preço do livro (comprei ele por R$39,90 na Saraiva OnLine e ele na Saraiva física tá por 41,90), mas o papel é pólen com um gramatura bem legal, fora que há algumas gravuras na parte interna do livro que, na capa, apresenta tanto o título como o desenho dos meninos em relevo. Ou seja, valeu muito a pena também no quesito gráfico.

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2 comentários:

  1. Sabe o que mais tenho gostado de muitas obras que abordam essa temática nos dias de hoje? A forma um pouco mais positivista dos relacionamentos, da facil aceitação dos pais. Nós sabemos que isso não é a realidade, mas porque não sonhar um pouco mais com essa realidade, eu acho que é isso que tem sido pregado em algumas dessas obras, e amo. Já gostei dessa proposta do livro, é mais um que entrará na minha lista de livros pra ler...

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    1. Ah, eu gosto disso também, mas acho que também gosto bastante de problematizar! hehe

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Ronrone à vontade.