04 maio 2016

Os meus contemporâneos favoritos

Na segunda-feira, 02, eu postei aqui o texto sobre o livro Por que ler os contemporâneos?, um livro composto de pequenas resenhas acerca 101 autores que tem produzido no início desse século 21, e que neste momento se fazem representativos da nossa identidade, não só literária, mas geral.

Nos comentários, a Camila, me perguntou quais os autores constariam na minha lista. Bom, embora eu até leia bastante, não sei se seria capaz de compor uma lista de tamanha envergadura, até mesmo porque ainda sou, como muitos, assolado por autores clássicos ou os que mais movimentam o mercado literário, passando por leituras de um e outro que não chega a traçar um perfil sólido de escrita desses novos autores cheios de potencial de se tornarem clássicos.

Fora isso, acredito que com o volume de títulos publicados anualmente e a quantidade de prêmios literários que há por aí, bem como os gêneros, os mais fixos e não esses subgêneros que a cada hora o mercado inventa para criar um nicho de interesse e venda, seria necessário listas por categorias. Isso a tornaria muito maior, porém seria uma ação muito mais inclusiva.

Pensar que gêneros como fantasia ou terror não deveriam constar em listas assim, para mim, é um equívoco, já que elas representam a reconfiguração também de uma tradição e expõe como o fantástico e o maravilhoso, assim como o que, como humanos, ainda nos causa medo e como ele se apresenta.

Alguns dos autores eu li e, se não gosto de tudo que deles li, concordo com a importância literária que possuem. Por isso que fico feliz de ter encontrado Zambra, Coeetze, Herta, Murakami, Ishiguro, Chimamanda, Eugenides, Houellebecq. Autores que li e que me marcaram agradavelmente.

E há aqueles ainda não lidos, que ou eu preciso comprar alguma coisa ou já tenho alguma de suas publicações, embora ainda não tenha sido chamado por ela, como Lobo Antunes, Ondjaki, Hatoum, Eco, Válter Hugo Mãe, só pra citar alguns.

Mas, Daniel, não tem nenhum autor que você tenha sentido falta?

Bom, isso eu mencionei no texto passado. Senti falta de Muriel Barbery, que inclusive é citada na parte de curiosidades sobre a elaboração da lista e que pode não ter entrado por falta de quem a resenhasse.

Sobre ela, li todos os seus três romances, sendo os dois primeiros A morte do gourmet e A elegância do ouriço, todos publicados pela Cia das Letras, sendo o A vida dos elfos, lançado no final do ano passado.

Em Muriel acompanhamos o conflito das personagens em o que elas são e o que elas mostram para o mundo e de como isso as afeta. Tudo muito delicado, irônico e cheio de referências japonesas, no caso de "A elegância" e da culinária francesa, em "A morte". Aliás, em "A morte", nos é apresentado um evento apenas citado em "A elegância", um romance sendo uma extensão do outro sem necessariamente ser uma continuação.

Já o outro autor que acho que deveria constar entre os listados é o Juan Pablo Villalobos, autor de Festa no covil, E se vivêssemos em um lugar normal e Te vendo um cachorro, onde narra sobre o México e a vida muitas vezes difícil e estranha (que causa estranhamento), sempre pela perspectiva de um narrador infantil, o que torna o choque ainda mais forte.

Dele, li apenas o "Festa", e ainda estou lendo o "E se vivêssemos". Não é uma leitura que considero fluida, daquelas que em poucas horas se pode dar conta do volume, mas ir até o fim é uma recompensa pelo simples fato de ser transformado por essa secura e ironia.

Bom, esses seriam os autores que eu colocaria na lista e alguns daquela outra que eu deixaria como autores para serem lidos atualmente.

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