25 abril 2016

Travessuras da menina má, de Vargas Llosa

Neste romance de Vargas Llosa, em sua edição pela Ponto de Leitura, acompanhamos um relacionamento durante 30 anos de idas e vindas. Ricardo conhece Lily no início da puberdade e já naquele momento passa a deseja-la e ama-la. Ela, contudo, se mantem um tanto indiferente no que se refere às investidas do menino, embora não o afastando totalmente.

No fim, descobre-se algo sobre Lily e ela desaparece no mundo.

Anos mais tarde, já morando em Paris, sua grande aspiração na vida, Ricardo trabalha como tradutor freelancer para a UNESCO e tem relações de amizade com os peruanos e outros imigrantes que por lá passam e têm como objetivo organizar uma revolução no Peru, do mesmo jeito que aconteceu em Cuba com Fidel. Lá, ele conhece a Camarada Arlette, que fora na sua infância, a sua amada Lily. Eles têm um caso, mas logo ela vai embora, para receber o treinamento guerrilheiro que possibilitará a tentativa do levante em Lima.

Esse é a primeira separação de um relacionamento que passará por Paris (de novo), Londres, Japão e, por fim, Madri. Em cada situação a “menina má”, está de um jeito diferente, com um amante diferente e um nome diferente.

O que chama atenção, dentre tantas que poderiam ser suscitadas em relação ao romance de Llosa, é a sua capacidade de descrição sobre os lugares, o conhecimento geográfico e o arcabouço cultural presente nas citações as obras, museus, filmes e tantas coisas que vão aparecendo no decorrer das décadas em que o relacionamento entre Ricardito e a menina má se desenrola. Também é perceptível a habilidade de comentar e observar os acontecimentos históricos e políticos, sejam eles na Europa e no Peru, sem tornar o livro algo de panfletário ou aborrecido.

Há humor em todo o livro. Uma ironia no relacionamento entre o homem brega que Ricardo é e moça sem raízes que é a menina má, e é por isso que, mesmo sendo abandonado diversas vezes e existindo esse sofrimento amoroso, o livro passa ao largo do romantismo do tipo “água com açúcar”, embora tenha muita coisa dele.

A edição da Ponto de leitura, com as suas 397 páginas em edição de bolso, tem uma diagramação de texto cuidadosa, não causando incômodos que geralmente se têm com esses tipos de edição, sendo assim um bom investimento na relação qualidade versus preço.

E, isso aliado a um texto tão bom quanto o de Travessuras, deixa a experiência de leitura ainda mais agradável.


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