07 março 2016

Simon vs. A agenda Homo sapiens, de Becky Albertalli


Simon vs. A agenda Homo sapiens, de Becky Albertalli e publicado pela Editora Intrínseca, conta a história de Simon, 16 anos e gay e as desventuras por ele vividas por conta de uma chantagem feita por Martin, um menino que acaba lendo os e-mails que Simon troca com Blue, por meio de uma conta secreta.

Enquanto vamos acompanhando o desenrolar dessa chantagem – Martin quer que Simon o ajude a ficar com uma amiga dele, Abby – temos o desenvolvimento do relacionamento de Simon com Blue, e toda aquela coisa fofa de pessoas que estão se conhecendo, mas ainda nem se encontraram e nem mesmo sabem quem são. Tudo às escuras!

Em certos momentos, isso me lembrou um pouco o Will & Will, com todo aquele lance de troca de mensagens, só que Becky, ao contrário de Levithan e Green, foca nisso, ao invés de logo nos dar a perceber que aquilo é só um pretexto pra outros acontecimentos. Aqui a troca de e-mails é o um dos alicerces da história, e por isso são muito mais fofos e profundos, que os de Will & Will.

Aliás, fofura é o ponto forte do livro. O relacionamento com de Simon com Blue é cheio de preocupação e interesse com as coisas do cotidiano deles, com os anseios, os gostos e vai evoluindo com o tempo, como podemos perceber em pequenos detalhes e alterações nos textos dos e-mails. Há também o relacionamento de Simon com as pessoas ao seu redor, mesmo com Martin, o seu chantagista pessoal.

Todavia, nem tudo é lindo no texto. Uma coisa que eu ainda estranho em livros do tipo é o fato de como as escolas americana são mostradas como lugares com políticas rígidas contra o bullying, principalmente o homofóbico, e de como dentro disso, há a naturalidade com que os alunos se travestem em dias específicos, como é o caso em Simon vs A agenda Homo sapiens.

Não sei, talvez isso ainda me pareça surreal devido ao que estamos acostumados a acompanhar nos noticiários, e não só no que acontece nas escolas, mas nas famílias, nas ruas e até mesmo em nossa política, no que se refere as questões LGBT.

No mais, há um questionamento bastante importante, o de porquê homossexuais terem que sair do armário. Por que ser hétero é o padrão? E mesmo o porquê de ser branco ser padrão (e gente, essa perguntinha faz tanto sentido também dentro do enredo do livro...). E aí, vamos percebendo que as coisas embora sejam assim, também tem um outro lado, que é o de algumas pessoas também terem que sair do armário em outras questões, de ter que em cada momento se reapresentar ao mundo por simplesmente terem adquirido um novo gosto ou terem sido modificadas por uma nova experiência.

Sobre a edição, acho que houve um pequeno problema na tradução e revisão, pois na página 57 há uma referência a um chocolate ser melhor que sexo, que teria sido dito no e-mail anterior, que se encontra na página 56, e que, no entanto, não existe. Essa mesma referência é retomada em outro e-mail, na página 59, o que me leva a acreditar que realmente essa falha existe e é trecho que foi pulado.

No mais, a leitura é super agradável, não só pelo texto, mas por conta de uma boa diagramação e uso de polén.

Leia o primeiro capítulo disponibilizado pela Editora Intrínseca, aqui.


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