21 março 2016

O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman



O papel de parede amarelo é um conto da escritora feminista Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) e é considerado um clássico da literatura que aborda questões da luta das mulheres. Nele, uma mulher é levada pelo esposo para uma grande casa senhorial, no campo, a fim de que ela possa descansar de seus problemas de nervos, surtos histéricos.

Acontece que, ao chegar à casa e ser instalada no segundo andar, no que parece ter sido um quarto para crianças, cheias de grades na janela e portão que limita também a sua descida para os andares inferiores, há ainda um feio papel de parede amarelo, que torna-se objeto de obsessão da mulher.

São os dias e de como ela se sente em relação à sua doença e as pessoas e a casa e seu feio papel de parede amarelo que a narrativa se concentrará e evidenciará, de forma simples, com parágrafos curtos, toda a potencialidade linguística e discursiva do conto, uma metáfora espelhada.

O conto, bem como seu título são metáforas de si; espelhadas como se estivessem presas dentro uma grande casa de espelhos. O papel de parede amarelo, nome do conto, pode referir-se à própria relação da mulher com o seu esposo.

Espera-se que ela seja um belo papel de parede, obediente, cuidando da casa e do filho e sem almejar mais nada na vida, assim como a sua cunhada. Mas ela, que gosta de escrever e que quer ser uma pessoa mais ativa, interagir com as pessoas, não é esse papel de parede bonito, é um papel de parede amarelo, que decora um quarto antigo e gradeado.

O espelhamento se segue pela narrativa ao estabelecer também a relação entre o que ela descobre sobre o papel e o seu claustro dentro do quarto, dentro de uma relação que a toma como incapaz, infantil, que precisa ser cuidado com os maiores dos cuidados e ser feliz e melhorar pelas pessoas que dela cuidam.

O final, embora trágico, não poderia ser outro se não a destruição do espelho, não de modo a acabar com tudo, mas destruição do senso de realidade que define o que é o lado de cá e o que é o lado de lá, permitindo assim a personagem, por um momento, tomar as rédeas da sua vida e vontade.

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O papel de parede amarelo, lançado recentemente pela editora José Olympio, do grupo Editorial Record, ainda conta com uma apresentação de Márcia Tiburi e um posfácio assinado por Helaine R. Hedges que, além de fazer uma análise do conto, também nos apresenta pontos outros sobre a escrita e a vida de Gilman, relacionando-os com o movimento feminista.

Por conta desses dois textos que acompanham o conto neste volume, que preferi nessa resenha a me ater mais e sucintamente aos aspectos de espelhamento e metáfora, do que na relação de gaslithing existente entre a personagem e seu marido, por exemplo.

Com suas 112 páginas, O papel de parede amarelo é uma leitura rápida e chocante, algo verdadeiramente maior que suas comparações e inserções em tradições como as de narrativas de doenças mentais ou loucuras, na qual Edgar Allan Poe (e quem sabe até mesmo Lovecraft), algumas vezes encontra-se inserido.


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2 comentários:

  1. Fiquei muuuuito interessada! Parece maravilhoso, to super curiosa!

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    1. O conto é excelente! super vale a pena, além de que a dição está ótima! o prefácio e o estudo no final são d uma qualidade! super recomendo.

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Ronrone à vontade.