31 março 2016

Do desejo, Hilda Hilst



Certa vez, comentei por aqui o quanto é surpreendente a coincidência entre o tempo e a poesia. Agora retomo esse ponto, mas por outro olhar: a ausência dessa coincidência, mas que, também pode surpreender.

Há alguns meses, passeando pelos corredores da Cultura, esbarrei em uma grande autora nacional de cuja obra ainda não tivera contato. Antes de tocar no livro, me permiti apreciar a capa: proposta minimalista, uma pequena ilustração em um fundo branco com o nome da poeta em letras garrafais: HILDA HILST. Pra mim foi suficiente, eu já queria conhecer essa mulher e o título desse volume Do desejo foi mais que um convite, foi uma intimação para essa leitura.

Na orelha, encontrei algumas informações que me deixaram ainda mais confiante: Eu seria arrebatada pelos versos!
Lançado originalmente em 1992, Do desejo é uma reunião de sete livros de Hilda Hilst, produzidos num intervalo de seis anos. Dois deles eram então inéditos: Do desejo (homônimo do título conjunto) e Da Noite.
Os outros cinco livros já haviam sido editados. O primeiro deles, Amavisse, tornou-se um dos títulos mais cultuados pelos leitores de Hilda Hilst. Em sua edição original, de 1989, continha três livros, aqui republicados: o homônimo Amavisse, e ainda dois: Via espessa e Via vazia. Também foram incorporados ao conjunto Alcoólicas, publicado originariamente em 1990, e Sobre a tua grande face, de 1986.Concebido pela própria Hilda Hilst, esta reunião oferece, em sua disposição não cronológica, possibilidades originais de leitura que a tornam um livro único. É sempre difícil reduzir uma obra de Hilda Hilst a uma única questão, mas talvez o ponto central deste Do desejo seja o movimento poético que faz com que a poeta atinja, a partir do elogio de um amante particular, a eternidade e o absoluto.
Enfim, fui aos versos. Algo não aconteceu. A escrita dela, o mote dos poemas, as possibilidades semânticas, nada ficou. E ao fim do livro eu senti que não encontrei Hilda, ela fugiu de mim. A minha expectativa de gostar (muito) da obra, comprometeu minha leitura e meu primeiro encontro com Hilda foi insignificante.

Pensei em desistir da poeta? Esquecer o desencontro?

Não.

Pois, a poesia é um terreno impreciso em que nem sempre a gente encontra o que espera.

Para haver encontro precisa existir necessidade dos versos e eles precisam nos encontrar.


Eu não estava em sintonia com essa obra, esperei algum tempo, mas a necessidade não veio. Eu não estava frequentando a mesma paisagem da poeta, na verdade ainda não estou. Acredito que Hilda e eu ainda não estamos caminhando em lugares próximos.

Guardei o livro e eu sei que voltarei pra ele um dia, pois na poesia nada é definitivo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.