10 fevereiro 2016

Sobre o desabafo de uma autora nacional desconhecida e suas técnicas de se promover

Ontem, passeando pela timeline do FB vi uma postagem patrocinada (guardem essa informação) de uma autora independente (guardem essa informação também).

No “textão” que escreveu, ela aproximava o livro por ela escrito com o Como eu era antes de você, de Jojo Moyes, o qual ela não leu, mas que por meio do trailer da adaptação cinematográfica percebeu que os livros tem muita coisa em comum.

Fonte da imagem: Os nós da rede

A partir daí ela começa a discorrer sobre como no mercado editorial se dá muito mais valor para literatura estrangeira, em detrimento da produção nacional, apelando para a possibilidade de talvez aqueles serem muito melhores que os aqui escritos, embora também considere que pode ser falta de uma boa campanha de marketing, de sorte ou de “alguma outra coisa”.

E segue dizendo que mesmo que um livro seja de excelência, por ser um produto nacional, nunca alcançaria mais de um milhão de cópias vendidas em pouco tempo e que também dificilmente seria adaptado para o cinema. E que tudo isso é muito triste, porque, de acordo ainda com ela, nunca teremos uma divulgação do porte que se dá aos livros estrangeiros.

E é aqui que eu começo as minhas considerações.

Ela parece desconhecer como funciona o mercado editorial de fato e, mesmo eu nem sendo um grande conhecedor dele, já tive a oportunidade de conversar com gente que trabalha na área e que, inclusive, é dono de editora.

O trabalho feito com livros estrangeiros se difere do visto com a maioria dos autores nacionais, principalmente os novatos, porque, ao contrário daqueles, aqui a aposta é muito maior. Geralmente, os livros internacionais já são esperados por aqui por um público relativamente significativo, ou seja, de um jeito ou de outro, ele já é um sucesso e a editora não corre muitos riscos de fracasso. Tanto que alguns grupos editoriais, ao firmarem contratos de publicação de um livro, às vezes, já compram os direitos de toda a série.

No caso do autor brasileiro, se ele já é conhecido as coisas funcionam um pouquinho melhor, mas, temos que levar em consideração uma coisa, o tipo de literatura por nós produzida e, nesse caso também, qual o público realmente consumidor. Para saber um pouco isso é só ver quem tem sido os nossos autores mais vendidos e os gêneros literários mais consumidos. Uma pesquisa rápida pela internet, em blogs e vlogs literários, também dão uma boa imagem do cenário de consumo dos livros.

Com tudo isso me mãos, percebe-se que livros de ficção estrangeiros são majoritariamente os mais consumidos pelo público e estes estão muito mais direcionados aos adolescentes e jovens, enquanto que na linha de não-ficção são os brasileiros que lideram, é o que mostra as listas de livros mais vendidos.

Sabendo disso que as editoras planejam as suas publicações e investimentos. Não podemos esquecer que elas são empresas, que tem contas e funcionários a pagar e que nem sempre pode-se dar ao luxo de investir só em “alta” literatura. Caso muito elucidativo foram o fôlego que muitas tiveram com os livros de colorir no ano passado.

Mas tudo isso explicaria alguns problemas do mercado no que se refere a publicação de autores nacionais por editoras, o que não é o caso dessa autora em questão.

Lembram que eu disse para vocês guardarem algumas informações? Pois é agora que as utilizaremos.
Um autor, e isso não é de hoje, sempre foi assim, não pode simplesmente achar que escrever o livro é o seu trabalho, é muito mais que isso e serve inclusive para autores que encontram-se sob o teto de alguma editora.

O trabalho também consiste em divulgar a sua obra, criar uma base de leitores, de pessoas que conhecem o seus escritos. Se isso já é algo que um autor de editora tem que fazer, imaginem quem está por conta própria? Tem que fazer isso multiplicado por mil, um zilhão, a fim de ter algum sucesso.

Nos comentários desse texto, muitos disseram desconhecê-la, mas afirmaram que liam sim bastante autores nacionais. Ora, se eles leem autores nacionais e não a leem é justamente por essa falta de conhecimento de que ela é uma escritora e que tem livros publicados.

Alguns até pediram desculpas por não conhecerem o trabalho da mulher! Vejam só o remorso sendo inculcado na cabeça das pessoas, como se elas tivessem culpa de desconhecer alguma coisa! Ou como se fosse errado ter preferência por livros estrangeiros, ao invés de só ler livros nacionais de escritores desconhecidos e autopublicados.

E aí, o que temos? Com esses recursos e com o fato de ela ter feito essa postagem patrocinada no FB, ela conseguiu, com um pouco de mimimi, quem sabe um pouco de vitimismo e injustiçamento, divulgar o seu livro, ainda mais que no começo ela fez a aproximação com o livro da Jojo Moyes que logo estará nas telas do cinema.

Ora, uma jogada brilhante de marketing, não?

Sinceramente, eu não gosto desse tipo de autopromoção, que precisa se comparar ao outro e de dizer que tudo é difícil, inculcando nas pessoas uma culpa que não é delas. Para vocês terem uma ideia, a maioria das pessoas não vão além da página 02 de pesquisas no Google, e se nem pesquisando um assunto elas se dispõe a ver as respostas que vem depois disso, como querer que pessoas intuam que em sites como a Amazon há um livro que conta uma história muito parecida com a escrita, por exemplo, pela Jojo Moyes?

Considero algo meio oportunista, além de que há outros mecanismos de divulgação, meios, inclusive, que até as grandes editoras têm se utilizado, que são os canais literários.

Vejo muitos autores iniciantes mandando propostas de parcerias, oferecendo os seus livros pra leitura e produção de resenhas, patrocinando postagens no FB, fazendo sorteios de marcadores, de exemplares em e-book.

E mesmo no caso dos autores que tem editora, vejo que muitos participam de clubes do livro, que sempre estão com um exemplar de seu texto na bolsa pra sortear, dar de presente, fazer publicidade e mesmo viajando por conta pra eventos, só pra fazer-se conhecido.


Ser autor e ter o seu quinhão exige bastante investimento de tempo, mesmo para quem está em uma editora, pois não pensem que esses, ao dar o ponto final no seu mais novo escrito, ficam de pernas pro ar esperando os louros.

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