08 fevereiro 2016

Putrefação, Andrei Simões

Em seu romance de estreia, publicado em 2005 pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira da Editora Novo Século, o paraense Andrei Simões traz ao longo das 93 páginas, que compõe a narrativa de Putrefação, as elocubrações e memórias de um protagonista cético e com uma vida esvaziada de sentido aparente que se descobre morto e ainda assim consciente do que acontece ao seu redor e com o seu corpo que se putrefaz.

A narrativa em primeira pessoa segue a composição de um grande monólogo, embora tamém tenhamos a interação dele conosco, "Aquele que lê". A linguagem segue o estilo romântico, não necessariamente gótico, mas que se imbrica com as imagens e temas do decadentismo e do simbolismo.

É isso que explica, talvez, os recursos de estrutura sintática do texto, que o tornam mais árido e, por vezes, tortuoso. O ceticismo e o confronto, não só com que não se entende e o que é grotesco, mas com a tomada de consciência do que se perdeu e do que agora se é, não trazem a emoção e a transformação real da personagem. Não há catarse e, portanto, o sofrimento se manifesta mais como um discurso de experimentação científica baseada na observação do oculto operando a matéria física.

Essa sensação não muda nem com o plot twist, também proveniente da tradição das narrativas simbolistas e que dá à narrativa o gás necessário para a continuidade do texto.


Talvez o grande ponto seja que por contar mais do que mostrar, toda a potencialidade e carga dramática se perde enquanto possibilidade real.

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