25 janeiro 2016

Homens sem mulheres, Haruki Murakami

Homens sem mulheres é o recente livro de contos de Haruki Murakami publicado pela Alfaguara. Nele, Murakami desenvolve sete contos, cheio de referências a Kafka, As mil e uma noites e The Beatles, por exemplo. Isso já fica claro na sinopse da quarta capa do livro, que recebe o nome do último conto da coletânea.

A princípio poderíamos achar que alguns contos não convergem para a ideia que o nome da coletânea evoca, como é o conto Samsa apaixonado, e que está muito bem expressada na seguinte passagem do conto que nomeia o livro:

Um dia, de repente, você vai ser um dos homens sem mulheres. Esse dia chegará subitamente, sem nenhum aviso prévio nem sinal, sem premonição nem pressentimento, sem uma tosse que seja ou uma batida na porta. Ao virar esquina, você vai descobrir que já está ali. Mas não poderá voltar atrás. Uma vez que virar a esquina, será o único mundo para você. Nesse mundo você estará entre os “homens sem mulheres”. Em um plural infinitamente indiferente. (p. 231)

Nos contos, vamos percebendo que há muitas maneiras de sermos um desses homens sem mulheres. Por exemplo, em Samsa apaixonado, um belo dia ele, nossa personagem, acorda com uma única certeza, a de que é Gregor Samsa e mais nada. E em meio as suas descobertas de como ser humano e de todas a estranhezas que isso trás, ele se descobre apaixonado por uma mulher que lhe traz a beleza de imagens que nos lembram insetos. É esse amor que ele descobre e que ele não sabe se realizará ou não que o faz ser um dos homens sem mulheres, embora ainda não se dê conta disso.

Já em Yesterday, por exemplo, temos dois homens sem mulheres. Um não a tem pelo fato de se conhecerem desde criança, o que trás um obstáculo para o vivenciamento pleno do relacionamento em que se encontram. O outro não sabemos os motivos que o levaram ao distanciamento do casal, e talvez esse seja o ponto mais interessante do conto, já que acompanhamos uma história que na verdade serve para esconder outra, e ambas evidenciam a solidão desses homens.

Ainda há aqueles que nunca se deram conta que haviam perdido as suas mulheres até que elas tenham morrido ou aqueles que descobrem tê-las perdido ainda mantendo o relacionamento com elas.

A impressão que tive com os contos é que invariavelmente somos todos homens sem mulheres, que somos homens que caminham pela vida sem conseguir estabelecer certo tipo de conexão com outro ser ou perceber que isso existe e de como é algo essencial. Ou, percebendo, caindo na inevitabilidade da vida, a possibilidade de estes laços se desfazerem no ar.


Este foi o segundo livro que eu li de Murakami, o primeiro foi o conto Sono (também publicado no Brasil pela Alfaguara), e me fez querer ler muitas outras coisas dele. Quase certo dele se tornar o autor preferido do ano de 2016. Quem sabe, né?

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