09 dezembro 2015

Oxalá, há os que herdam!

Este mês de Dezembro começou triste para o Mercado Editorial com a notícia de que a Editora Cosac Naify encerraria as suas atividades ainda neste ano.

Com 15 anos de atividade editorial, a Cosac ficou conhecida no mercado por seu trabalho gráfico acurado e publicações de livros da área de Design e de Arte, com capa dura e cheios e fotografia. Mas o trabalho estético não se restringiu tão somente a estes volumes, ou dos clássicos de literatura universal, como também a suas edições de bolso.

E apenas estamos falando de um lado do trabalho da editora, a coisa estética que enche os nossos olhos e redefinem a relação leitor e livro. Ainda há o outro lado, o da escolha do catálogo, que não só se restringiu aos livros de arte, design, arquitetura e literatura universal, mas abrangeu novos nomes da literatura contemporânea e muitos outros títulos e autores que, não fosse esse olhar estético diferenciado, não teríamos jamais (muito provavelmente) tido a oportunidade de conhecer.

Um trabalho imenso que muitas vezes não se refletia nos valores cobrados. Sim, os livros da Cosac eram caros para a maioria dos brasileiros, mas quando se colocava as mãos em um exemplar, depois de compra-lo e o comparávamos com os livros que estavam na prateleira que não foram assim tão baratos, dava um desânimo. Isso porque há livros que mesmo mais baratos, se mostravam caros perto dos publicados pela Cosac.

E sempre havia a oportunidade de se comprar em saldões e promoções. Nunca na história do Mercado Editorial houve tantos! Talvez metade dos títulos que tenho em casa tenha sido adquirida assim.

O encerramento da Cosac é uma coisa triste, mas reflete algo que é cultural em nosso país, o mercado de luxo é bastante restrito, ainda mais quando se trata de livros, porém nem tudo é ruim se olharmos para o que foi construído ao redor da Editora.

Com a Cosac o Mercado aprendeu que um bom trabalho gráfico, e nem precisa ser capa ura e papel couchè fosco pras fotos, mas uma boa diagramação, um papel bom e uma arte de capa bonita fazem muita diferença. Que há espaço para o estético nas publicações e que as pessoas consomem, porque a relação que temos com o livro é também a com o objeto, além do conteúdo, ideias.

O Mercado parece ter aprendido isso, como podemos ver em editoras como, ZAHAR, Cia das Letras, o selo Biblioteca Azul da Editora Globo, Darkside, Alfaguara do Grupo Editorial Record e mesmo em selos mais comerciais e acessíveis, como os da L&PM pocket, com alguns títulos já com capa dura.

E é a isso que devemos também agradecer a Cosac, por ela ter aberto os olhos de outras editoras para esse trabalho mais estético, por esse cuidado maior com o objeto livro.


Em 2016 não teremos mais a Cosac, mas, oxalá, há os que herdam!

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