16 novembro 2015

Trilogia Anômalos, de Bárbara Morais

A Trilogia Anômalos, de Bárbara Morais, é composta por A Ilha dos dissidentes, A Ameaça Invisível e A Retomada da União. Os livros, lançados pela Editora Gutenberg, contam a história de Sybil Varuna, uma menina que mora em uma região de guerra da União e de como ela, ao pleitear a sua mudança para os campos de refugiados acaba descobrindo que é uma anômala e, depois se envolvendo em missões para o Governo e movimentos pelos direitos dos anômalos.


Para entender um pouco melhor... A população mundial está dividida em dois grandes blocos supranacionais, de um lado temos uma democracia – a União, e de outro um governo imperialista teocrático, o Império; e estão em guerra. Em ambos os blocos há entre os humanos seres que, por alguma razão, desenvolveram habilidades especiais e são conhecidos como anômalos.

Sybil, depois de ser a única sobrevivente do naufrágio do navio em que estava sendo transportada, acaba sendo adotada por uma família de Anômalos da cidade especial de Pandora (cidades para anômalos viverem). Lá, ela começa a experimentar uma vida até então desconhecida: comida a vontade, tranquilidade, desenvolvimento de laços afetivos reais... Até que algumas coisas a fazem questionar as maravilhas do mundo em que vive. Uma coisa meio que ‘isso não é bem assim, galera. Vocês não vivem em um conto de fadas’.

Isso vai se tornando cada vez mais palpável, até que, após uma missão ao qual ela é convocada a participar, se vê enrolada em intrigas políticas que culminarão em movimentos de tomada de poder e luta por direitos civis por parte dos anômalos.

A referência a X-Men é inevitável, mas diferente do que vemos nos quadrinhos dos mutantes, não há um grupo treinado para serem heróis, assim como os poderes dos anômalos muitas vezes se mostram bobos e inúteis. Claro que, no que se refere aos poderes, eles não são de fato inúteis, mas não é aquela coisa de pode me salvar de qualquer coisa e em qualquer momento. Eles muitas vezes funcionam em ocasiões muito específicas e que servem de plot twist pra história, o que traz bastante fôlego e emoção pra trama.

Outras referências também se fazem presentes e que estão vinculadas ao próprio gênero de narrativa da Trilogia Anômalos, como 1984, de George Orwell, ou Admirável mundo novo, do Aldous Huxley. No entanto, eles servem apenas como base e ideias mais abstratas para o que é construído na trama, do mesmo jeito que a relação com a proposta de X-Men.

Eu com a Bárbara Morais no lançamento 
de A Retomada da União,

na Saraiva de Belém do Pará
Foto: Elder Ferreira.
Os livros de Bárbara são algo muito surpreendente nesse gênero, que ultimamente tem tido bastante destaque e produção, desde o fenômeno Jogos Vorazes. Ela consegue aliar a tradição que se instaurou de distopias contemporâneas, com a tradição clássica do gênero e conseguiu criar algo muito seu e que não deve nada ao que é produzido lá fora, o que evidencia cada vez mais a qualidade dos nossos novos autores nacionais.

Há ainda a boa surpresa que foi ter visto personagens LGBT dentro da trama, sem nenhum alarde e sem serem tratadas com descaso. Houve muita sensibilidade nessa inclusão, mostrando uma naturalidade com a proposta. Se tudo parece muito fácil pra eles? Claro que não. Há, em alguns momentos, a dúvida sobre a própria sexualidade e se o outro, de quem gostamos, também gosta da gente. Há a descoberta de relacionamentos, mas há também relacionamentos de uma vida inteira.

Os livros ainda apresentam alguns problemas de revisão, nada que seja muito problemático e que prejudique a leitura.

No mais, só duas coisas no último livro que me causaram certo incômodo: em relação aos motivos que levam uma personagem a fazer determinada coisa, já que não me parecem bem explicados ou fortes o suficiente; e o fato de uma personagem d aparência andrógina ser primeiramente tratada com neutralidade e, depois, no feminino pelo narrador, antes mesmo d sabermos que ela era assim tratada pelas outras personagens que já sabiam que ela é mulher. Mas isso é muito pouco pra tudo o que há de bom nos livros da Bárbara Morais.

Ah, falando em coisa boa, Andrei é muito amor, minha gente!


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