18 novembro 2015

Só pode ser negro se...

Mehcad Brooks é James Olsen em Supergirl.
Fonte: Google Imagens
Recentemente comecei a assistir o seriado Supergirl, que conta as aventuras de Kara, prima de Kal-El - o nosso Superman – no processo de também se tornar uma heroína. Mas não é de Kara ou Supergirl que falaremos nesse texto. Nesse texto, eu gostaria de falar sobre James “Jimmy” Olsen.

James se muda para National City, a pedido de Clark, para ajudar Kara no seu processo de tornar-se heroína (além de outras coisas que vamos descobrindo).

O James de Supergirl é negro. E não há nenhum problema nisso. Porém, não vi ninguém reclamando disso pelas redes sociais, como aconteceu com Star Wars ou com Quarteto Fantástico. Não quero dizer com isso que as pessoas deveriam reclamar, e sim que isso revela outra face do preconceito, uma outra face do racismo.

Justin Whalin como Jimmy Olsen,
em Lois & Clark.  Fonte: Google Imagens
Jimmy sempre foi branco, pequeno e ruivo, com exceção do Jimmy de Lois & Clark – que tinha um visual ‘Patricinhas de Beverly Hills’, e, em Supergirl, aparece um negro alto e forte. Jimmy sempre foi uma personagem secundária, que está na ilharga do herói e da mocinha a ser salva.

Mas, se Jimmy agora é negro e tá tudo bem com os fãs de Superman, onde está o preconceito que eu digo existir?

Ele se encontra no fato de que, sendo uma personagem secundária, ele não tem tanta relevância enquanto um padrão de imagem. O fato dele ser negro não incomoda, porque personagens secundários não interessam muito.

O protagonismo de um negro incomoda, ainda mais quando se trata de um protagonismo vinculado ao heroísmo. Incomoda ainda mais quando se pensa em usar um negro para representar uma personagem que já tem uma tradição em ser branco.

Aaron Ashmore foi o Jimmy Olsen
 em Smallville. Fonte: Google Imagens
E nem vamos cair na questão de que há preconceito reverso quando um branco interpreta uma personagem que “deveria” ser negra, pois é uma prática muito comum. A prática do clareamento racial existe, tanto que há a categoria “pardo” na auto-definição racial do IBGE.

O silêncio em relação a Jimmy Olsen de Supergirl revela muito do nosso preconceito enraizado, do pensamento de subalternidade vinculado ao negro, de pessoas que devem estar em segundo plano, ao redor.

Se você considerava que isso poderia ser uma vitória pra representatividade negra, bom, para mim tá mais como um prêmio consolação. Algo como: “Daremos um James Olsen negro para vocês, uma personagem que, embora secundária, tem um pouco mais de destaque. Se contentem com esse espaço. Olha como somos legais.”
Que representatividade é essa?

Parece que só pode ser negro se você não for o protagonista.

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