26 novembro 2015

Desnamorados – Editora Empíreo

Um livro de Contos? Crônicas? Poemas?Eu diria um livro de sentimentos encadernados!

Desnamorados é um livro colaborativo lançado pela editora Empíreo, realizado a partir do  site Cartase, o volume conta com textos de vários autores, e neles, uma tessitura do amor e todas as doçuras e agonias que fazem de cada relacionamento único e incomum.

Ainda que conte com vários tipos de textos: cartas, contos, poemas, ilustrações (...), na maior parte deles, há um par que materializa o que representa o amor: Acir e Pilar –  uma ressalva em relação a escolha dos nomes: penso que pelo menos um deles deveria privilegiar ambos os gêneros – que em  incontáveis situações remontam e relembram os momentos que (quase) todos os relacionamentos passam, enredando o leitor em narrativas curtas e sensíveis.
“Ele tentava argumentar, mas parecia que cada resposta que dava funcionava como mais combustível para o discurso de Pilar que ia emendando uma palavra na outra. Ela não respirava entre as frases. Ele não respirava de medo. Ela não acreditou nele. Mandou-o embora.”(p.125)
Muito afeto sem desperdício de palavras, histórias que passeiam em entre o “então” e o “se” que existe quando duas pessoas resolvem caminhar em par ou sozinhas. 
“Prometeu a si mesmo que não faria igual da próxima vez. E como em todas as outras vezes, fracassou e se tornou nada mais que matéria-prima para canções baratas de uma banda indie qualquer.” (p.72)
Pedaços de vida que permitem ao leitor se enxergar em uma ou várias cenas, na fragmentação delicada do cotidiano e do amor não romantizado; como a discussão ao celular que um estranho ouve no metrô, o e-mail com dizeres objetivo “quero te ver hoje” ou o amor que sai de casa e ao voltar já não encontra a porta aberta.

Desnamorados nos faz lembrar que em se tratando de amor, nem tudo é happy end (!) a beleza em seus textos, está mais no fragmento do que na completude, pois suas narrativas, ao fim da leitura, permanecem soltas e as situações e as imagens se estendem para outras pessoas que já fomos e as experiências que vivemos. Sem dúvida o mergulho introspectivo que esse livro permite não está na realização pura e acabada de uma única história ou de único gênero textual, mas nas incertezas e possibilidades que estão após o ponto final.

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