30 novembro 2015

Batman: A piada mortal, Alan Moore & Brian Bolland; Coringa, Brian Azzarelo & Lee Bermejo

Em Batman: A piada mortal, de Alan Moore & Brian Bolland, uma HQ de 1988 republicada em 2011 em edição de luxo pela Panini Books, Coringa consegue fugir de Arkham e começa a elaborar o seu plano de vingança contra o Comissário Gordon e, para isso, ele monta uma espécie de circo.

O que mais me chama a atenção na HQ é o fato dela trazer um gênesis da personagem Coringa, o que o levou a se tornar o que é e, assim, proporciona a nós leitores a compreender melhor o universo no qual ele encontra-se inserido. Também é, a meu ver, uma maneira de humanização do palhaço louco, que só queria contar piadas e assim sustentar a mulher e o filho, como é no caso o passado de Coringa em A piada mortal.

Não conheço tanto assim do universo de Batman, mas creio que o Coringa seja uma das personagens que menos tenha tido esse tipo de desenvolvimento, pelo menos do que eu vejo em divulgação do mainstream. Ele sempre fora o cala demente que acaba tendo a ajuda de sua psiquiatra para fugir e realizar todas as suas loucuras pela cidade de Gotham.

É justamente esse louco que aparece em Coringa, de Azzarelo e Bermejo, também publicado pela Panini Books, só que um louco que, ao que parece, tem uma linha de princípios a serem seguidos. Como diz um amigo meu: “São princípios. São poucos, talvez não muito corretos. Mas, são dele”.

Nesse quadrinho, ao invés de fugir, ele é liberado. Todos do submundo ficam chocados com isso. E o Coringa livre só quer saber de uma coisa, conseguir o que era dele de volta e é isso o que vamos acompanhar pela perspectiva de Jonny Frost, um cara que quer ser alguém, ter status e poder e que acaba se tornando o braço direito de Coringa no quadrinho.

O mais interessante nessa jornada do Palhaço, na tentativa de reaver o seu território, é que mergulhamos em sua insanidade e vamos percebendo determinados padrões de comportamento, no caso os princípios mencionados acima.

O Coringa, como muitos afirmam, é um anarquista, mas isso não implica em ele desejar o caos, mas uma organização em que as pessoas se respeitem, que o respeitem. Como ele mesmo diz durante a história, ele não tá muito interessado no dinheiro, mas na porra do respeito.

Isso revela mais uma coisa para mim da personagem e do mundo o qual ele faz parte, o mundo do crime, que também tem a ver com algumas das interpretações já dadas a ele, que é a Gangster. Gangsteres e Chefes do crime organizado sempre prezam pelo respeito. Exemplo máximo disso são os filmes do O Poderoso Chefão.

A piada mortal e Coringa, embora com um lapso enorme de tempo entre suas publicações são grandes quadrinhos que nos ajudam, à sua maneira, a desvendar um pouco mais dessa personagem tão forte que é o Coringa. E o bom é que nem precisa ser entendido de Batman para poder aproveita-las.


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Um comentário:

  1. Li A Piada Mortal não faz muito tempo - pra uma trama tão rápida, ela consegue ser bastante profunda. O que mais me intriga é o tão falado final, a piada trocada entre Batman e Coringa, que dá vazão a múltiplas interpretações. Gostei bastante das cores dessa nova edição - no prefácio, fazem questão de compará-la às cores originais da edição dos anos 80, embora eu não a tenha lido. Sobre o segundo encadernado, Brian Azzarelo não me é estranho - deve haver algum trabalho famoso dele que não me vem à memória agora. Parece ser uma leitura bastante interessante e, espero, tão dúbia quanto A Piada Mortal.

    Clara
    labsandtags.blogspot.com

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