07 outubro 2015

Saia do armário, ocupe o mundo

Alguns livros de temática infanto-juvenil voltados para o público LGBT, como A arte de ser normal, de Lisa Williamson e Garoto encontra garoto, do David Levithan, mostram em seu enredo, a guisa de encerramento, festas em que as personagens se confraternizam, uma promessa de um mundo mais inclusivo.

Em Garoto encontra garoto, as personagens deixam de ir ao baile da escola para dançar na clareira. Já em A arte de ser normal, um outro baile, para os excluídos, é organizado em um complexo aquático abandonado.

Tais acontecimentos são legítimos enquanto reivindicação e criação de novos espaços em prol da diversidade, no entanto, evidencia uma segregação social, pois não avançam na direção de uma verdadeira inclusão, que é a convivência de todas as diferenças sendo respeitadas em suas especificidades. Não há convivência do outro na vida dos outros.

Essas festas funcionam como guetos, espaços segregados socialmente, pois só quem pertence aquela comunidade as frequentam. Elas até podem se tornar integradoras, como acontece mesmo em nossa realidade social com as festas LGBT's, por muitos consideradas sempre as mais divertidas e animadas, sendo frequentadas por heterossexuais, mas não se tornam verdadeiramente inclusivas, pois ainda são festas de um público pertencente a uma minoria social, ou seja, de um grupo que tem direitos civis negados pela sociedade.

Isso me incomoda.

Incomoda ver esse tipo de discurso em obras literárias. Incomoda porque é direcionada a pessoas que estão em uma fase muito importante de informação. Elas, ao invés de serem emponderadas e levadas a ocupar os espaços, são levadas a acreditar ou almejar festas em que elas possam ser elas mesmas, mas em espaços que soam mais adequados e, portanto, longe dos lugares tradicionais de convívio.

Ora, não há como ter inclusão se a ocupação não acontecer. Por isso que é tão importante a frequentação e os atos em prol da diversidade em lugares que tentam nos impedir de frequentar. Isso não deve ser apenas uma prática exclusiva de LGBT's, mas de todo segmento que é tratado com indiferença. Exemplos de ocupação são os rolezinhos. Quem disse que o pessoal das comunidades, os pretos e favelados não podem frequentar o shopping? Por que eles devem frequentar um outro espaço? Por que deve-se criar um outro espaço para que eles possam frequentar?

Eu acredito na ocupação. Eu acredito que as universidades devem ficar cheias de travestis e transexuais, que muitas pessoas mais possam viajar pelo país, mesmo não sendo brancas, de classe média.

É preciso mais, no caso dos LGBTs, que sair do armário e mostrar que existimos. É preciso dizer não só que existimos, mas que viemos pra ficar e que vamos ficar e que seremos professores dos filhos dos intolerantes, que seremos os empresários, os lojistas... que estaremos em todos os lugares.

No dia 11 de outubro, que é o dia de sair do armário, eu peço que façamos mais do que isso, eu peço pra que não nos intimidemos e que ocupemos os espaços que quisermos ocupar, porque lugar de LGBT ou de qualquer outra minoria, é onde ele quiser.

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