05 outubro 2015

O vilarejo, Raphael Montes

Eu não tenho por hábito julgar um livro por seu autor, ou seja, sempre que eu pego um livro novo de um autor, busco encará-la como o que é, algo novo, que, embora assinado pela mesma pessoa, nada tem de relação com a obra anterior. Isso serve também para séries e sagas, pois, mesmo que contando uma "mesma" história, sofrem oscilações em sua composição.

Pensar o livro dessa forma também me proporciona a possibilidade de redescobrir um autor, mesmo que este seja um que eu não tenha gostado a princípio, em outra obra.

Tomando isso como prerrogativa, apostei na leitura do novo livro de Raphael Montes, O Vilarejo, de quem já havia lido e resenhado o livro Dias Perfeitos, o qual não me agradou muito, diga-se de passagem.

Contudo, O Vilarejo me surpreendeu de uma forma bastante positiva, não só pela sua bela edição, cheia de edições incríveis e, claro, pela forma como a narrativa é construída.

A primeira coisa que me chamou atenção foi o recurso utilizado por Raphael em relação ao prefácio, que fala não apenas do que vamos encontrar nos textos que se seguem, como também faz uma ambientação, algo que também é verificado no que diz respeito ao posfácio, fazendo assim, um movimento cíclico e integrador.

Sobre os contos, como já comentei em Com quantos enredos se faz um romance?, acredito que eles façam um todo muito bem estruturado, inclusive na ordem proposta pelo volume.

De longe, o conto/capítulo (dos sete) que eu mais gostei, pelo seu desenvolvimento e riqueza de detalhes nos acontecimentos e no comportamento das pessoas, foi Lúcifer: O Negro Caolho.

Nesse conto Raphael consegue movimentar no sobrenatural uma realidade que ainda hoje persiste: a de pessoas esperarem mais do que gratidão pelas boas ações que fazem e as faz se sentir no direito de exigirem obediência, subserviência e quando isso não acontece, sentem-se insultadas, tornando-se por conta disso, cruéis e tiranas.

Já em Asmodeus: A doce Jekaterina foi a narrativa que considerei mais fraca, mesmo em se tratando do tema luxúria e se comparada com as das irmãsVália, Velma e Vonda. Tive a impressão que a luxúria não foi usada no seu potencial.

No geral, as histórias se fecham em círculo, como acontece com o prefácio e posfácio, ou seja, a última história se torna uma continuação da primeira, além de finalizar com todas as outras.

Por fim, em O Vilarejo não percebi a pressa na finalização do enredo. As coisas parecem acontecer no momento certo, algo que não vi em Dias Perfeitos. Gostei de Raphael mais em contos.

Gostou da postagem? Não deixe de comentar! Curta também a nossa página no FB, Folhetim Felino, e se inscreva no nosso canal no Youtube.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.