02 setembro 2015

Quem precisa de perdão?

Papa Francisco. Fonte da Imagem
Recentemente, o Papa Franciscoanunciou que Padres deveriam perdoar as mulheres que fizeram aborto, ato este que leva a excomunhão imediata.

Vi pelas redes sociais algumas pessoas bradando de que mulheres não precisam de perdão e que vale para elas sempre a máxima “meu corpo, minhas regras”. Sim, concordo. Sempre valerá a máxima de que elas têm o direito de escolha, e isso vai um pouco mais além sobre a questão do corpo.

Estamos tão acostumados a lutar por uma liberdade ou julgar dogmas e comportamentos que, o nossos olhos nos parecem ser cerceadores da liberdade, que esquecemos que segui-los é também uma escolha e exercício de liberdade (desde que não prejudique um outro).

Pensando isso, o perdão que o Papa pede vai de encontro à garantir que a escolha de mulheres por permanecer no seio da comunidade católica é respeitado pelo representante máximo da Instituição Igreja, e que este pede que todos os outros ajam da mesma forma, respeitar a dor de quem abortou e se arrepende ou sofre por causa do ato.

O perdão que o Papa pede não é para quem não o quer, para quem não segue a doutrina católica, mas para aqueles que, seguindo, sentem-se violentados pelo ato da excomunhão.

Eu penso este perdão como um ato de amor por aquelas mulheres que não acabam sofrendo duplamente. Primeiro a violência física e psicológica de um aborto e, depois, a violência psicológica e social por se verem desamparadas do meio em que viviam. Elas se tornam estigmatizadas. Ao pedir para retirar o estigma das mulheres que abortaram, o Papa ensina aos que estigmatizam, que é preciso olhar os outros com amor.

Ou seja, mais do que perdoar, o pedido do Papa invoca a comunhão e impede a imposição de um sofrimento desnecessário. Respeita a dor que elas carregam consigo e a escolha delas de quererem permanecer em comunhão com a Igreja.


Você, não precisa do perdão do Papa e da Igreja. Você não precisa da Igreja. Mas se você deseja fazer parte dela, que o fato de você ter abortado, não seja um empecilho para o seu desejo de comungar com os outros. Que nenhuma outra violência lhe seja infligida, por causa disso.

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