28 setembro 2015

Brilhantes, Marcus Sakey


Conspiração. Terrorismo. E um poder que desafia a verdade.
Brilhantes, de Marcus Sakey, publicado pelo selo Galera, é aposta do Grupo Editorial Record em uma saga de distopia. 

A primeira impressão que tive do livro foi que seria uma espécie de X-men, eu estava enganada, apesar do mote ser o conflito entre humanos normais x humanos com “sinais de inteligência avançada”, o autor consegue distanciar o enredo dessa comparação, a começar pelo fato de que, na trama, os superdotados não terem poderes absurdos como garras de adamantium ou telecinese, nada disso! Os brilhantes tem poderes mais verossímeis, são pessoas com habilidades excepcionais.

Nick Cooper, o protagonista, é um brilhante. O seu dom é bastante peculiar:
Reconhecimento de padrões, uma espécie de intuição bombada. Eu capto intenções. Isso pode ser bem específico, como saber onde alguém vai acertar um soco. Mas capto padrões pessoais também, quando conheço alguém, meu dom forma uma imagem da pessoa e em ajuda a adivinhar o que ela fará.
Cooper usa o seu dom para trabalhar no DAR (departamento de análise e reação), uma agência que trabalha para o governo a fim de monitorar os brilhantes e principalmente para capturar seu principal representante, o ativista John Smith, que ao que tudo indica liderou uma série de ataques contra os normais. Uma trama bem familiar pra quem já assistiu muitas séries e filmes americanos do gênero policial. Ou seja, é tudo muito previsível.

Pra começar, a divisão do livro em “Caçador, caçado e desertor” já é um grande spoiler! Se você lembrar de tooodos os agentes secretos que já viu, de como eles SEMPRE uma hora ou outra descobrem que foram enganados e resolvem enfrentar Deus e o mundo pela verdade e justiça, dispondo sempre de recursos de tecnologia avançadíssima, mas que sempre estão em desvantagem em relação ao vilão da história. Querem um exemplo? O filme Missão Impossível: Nação Secreta (2015) está recheado de tudo isso, talvez por isso eu até agora imagine o Nick Cooper com a aparência do Tom Cruise.

O livro traz justamente isso, assim, foram poucos os momentos em que o autor me surpreendeu. A narrativa é em terceira pessoa, cansativa, a divisão dos personagens é muito objetiva: de um lado, temos vilão que é pouco explorado, sem fluxos de consciência, sem uma personalidade ímpar, sem identidade; de outro, tempos o herói e todos os personagens que giram em torno dele: a namorada, o melhor amigo, o rival invejoso, a família. E com tudo isso, depois de 474 páginas, esses personagens secundários ficam à sobra do protagonista.

E mesmo fazendo todos “viverem” para Cooper, e ainda que ele apresente um crescimento pessoal no desenrolar da trama, não há o herói literário e sim o herói imagético, acredito que Nick foi escrito para as telas do cinema. Mas como estamos falando do volume 01 do livro, pode ser que Sakey tenha deixado para nos revelar mais dos personagens secundários no próximo livro.

Outra coisa que é bom destacar: o que falta nos personagens, sobra na ambientação(!) a atenção dada à descrição dos lugares me fez mais uma vez pensar em como esse livro é imagético (desde a capa já percebemos isso!). O autor usa o dom de Nick para antecipar a descrição dos lugares, ou seja, descreve como o personagem imagina que seja um lugar a partir dos padrões que observa, e ao entrar no local nos confirma se Nick “acertou ou não” e isso faz que o dom do protagonista seja, de certa forma, pouco também do leitor.

Por fim, Brilhantes é um livro que vai fazer você imaginar explosões e ouvir cada tiro que o agente Cooper dá, com um final que com certeza não vai deixar você surpreso, mas sem dúvida, satisfeito.

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