21 setembro 2015

A Garota no Trem, Paula Hawkins

Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.


A garota no trem, publicado pela editora Record, é o primeiro  thriller psicológico de Paula Hawkins. Comparado à trama de Garota Exemplar, o livro já teve mais de dois milhões de exemplares vendidos, no Brasil está na sexta semana na lista dos mais vendidos. Mas, antes de tecer qualquer comentário sobre a autora, mostro o que ela faz com o leitor já primeira página do livro:
Ela está enterrada sob uma bétula, perto da velha ferrovia, seu túmulo marcado com pedras. Não mais que um montinho de pedras, pois eu não queria atrair atenção para seu lugar de descanso, mas também não podia deixa-la sem nenhum tipo de memorial. Ali ela vai dormir em paz, sem ninguém para perturbá-la, sem nenhum som além do canto dos pássaros e do ruído dos tens que passam.

O parágrafo acima é de deixar qualquer leitor ansioso pra saber: “Quem está sob a bétula?! Quem enterrou Ela?! Que relação isso tem com a garota no trem?

Mais que responder essas perguntas durante a narrativa, Hawkins vai te conduzir por uma história dilatada, pois a autora vai desvelando as personagens aos poucos, com muitas reviravoltas no suspense. O olhar da narrativa é a partir três mulheres. Vamos a elas!

Primeiro vamos conhecer Rachel que você, assim como eu provavelmente, vai quase odiar! Mas, pelo motivos errados! Explico: Rachel é uma pessoa doente, uma alcoólatra, e essa característica da personagem é mais que importante, crucial para o desenvolvimento dos fatos.

 Ela é uma mulher que passou por alguns problemas, mas nada incomum: traição, divórcio, demissão... Nada que mereça que você sinta piedade. O maior problema dela é seu vício, atrapalha sua vida e é praticamente a causa de todas suas perdas. Mas, o importante aqui, é que o trabalho da autora, não só descreve a doença de Rachel, faz que o leitor entenda, “entre” na mente de uma alcoólatra, sinta toda angústia que ela sente:
Fico deitada na cama por um tempo, pensando naquilo, e então me levanto e resolvo sair para dar uma volta, porque se não fizer nada vou acabar querendo ir até a loja da esquina. Não bebo desde domingo e posso sentir a luta acontecendo dentro de mim, o anseio por um pouco de excitação, a vontade de perder a cabeça, tentando vencer a vaga sensação de que conquistei alguma coisa e que seria uma pena jogar isso fora.(Rachel) 

Então, por mais que você sinta raiva da Rachel, no fundo vai ver que não dá pra odiar essa personagem, porém também não dá pra gostar dela, o que para uma protagonista é interessante.

Rachel é a menina no trem, porque ela pega o trem de uma cidade pequena para Londres, todo dia!Ela tem o trem como seu lugar seguro, ambiente em que ela pode observar sem ser notada. Seus devaneios sobre o casal que habita a casa número 15 são na verdade a projeção de uma vida que ela gostaria de ter, daí sua necessidade de descobrir o que aconteceu com o casal.

O segundo olhar da narrativa é na perspectiva de Megan, a moça que Rachel “criou” como Jess.   A personalidade mais marcante da trama. Megan é casada com Scott e ao contrário do que Rachel acredita é infeliz. Misteriosa e de humor instável, seus fluxos de consciência permitem conhecer sua história.
Vai chover em breve, posso sentir a chuva chegando. Estou batendo o queixo, as pontas dos meus dedos estão brancas e com um tom arroxeado. Não vou entrar em casa. Gosto de ficar aqui fora, é catártico, purificador, como um banho gelado.(Megan)

A última narradora que se apresenta é Anna, atual mulher de Tom, ex-marido de Rachel. A forma como a perspectiva de Anna é inserida na história é um ponto forte da narrativa, pois depois de muitas páginas embaladas apenas por Rachel e Megan, a narração por Anna é inesperada.

O mote da trama é a forma como a vida das três está mais interligada do que parece. Estruturada como um diário, a partir  de três pontos de vista sobre um mesmo acontecimento, a narrativa permite ao leitor  confirmar a premissa sobre thriller psicológico: até que você termine a última página, ninguém é inocente.


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