17 agosto 2015

Os dois mundos de Astrid Jones, A. S. King

Astrid Jones é uma personagem que eu tinha tudo para me identificar, mas a mágica não rolou.

Em Os dois mundos de Astrid Jones, de A. S. King e publicado no Brasil pela Editora Gutemberg, Astrid é uma garota no final do Ensino Médio que tem um segredo sobre si e guarda outros de alguns de seus amigos. Além disso, ela é do tipo de pessoa que, assim como sua família, não parece se encaixar na pequena Unit Valley, já que é oriunda da cidade de Nova Iorque, sua mãe trabalha em casa e é do tipo que tem sempre razão e não tem tempo para nada que não seja o trabalho, totalmente workaholic. O pai tem um emprego meia boca e vive chapado. Ellis, a única irmã de Astrid, joga hóquei e puxa o saco da mãe, pra ter a sensação ilusória de que é amada.

No colégio, Jones não chama muito atenção, muito embora conviva com os populares, por conta dos seus melhores amigos Kristina e Chad.

Em casa, ela também procura ficar fora das vistas, ainda mais de sua mãe, que se tornou melhor amiga de sua amiga e ainda faz de tudo para que a filha arranje um namorado, por isso ela passa horas olhando para o céu, da mesa de piquenique de seu quintal, mandando amor para os passageiros.
Enquanto vamos assistindo a inevitável colisão entre as duas vidas que Astrid mantém, o de seu relacionamento amoroso com a colega de trabalho de finais de semanas, Dee; e a convivência com os pais e amigos, vamos sendo imersos em algumas proposições filosóficas, já que muito do que acompanhamos das aulas de Jones é referente a essa disciplina.

O grande dilema de Astrid é não só o não posicionamento dela diante as pessoas, sua certa submissão. Lembremos que ela sempre tenta se manter fora da vista e da mente dos outros, evitando assim o máximo possível a própria vida. O problema é a não confiança.

Ela não conta pra ninguém que tem uma namorada e por isso tem essa aflição de que alguém possa descobrir, a cada momento que alguém fala sobre homossexualidade e lésbicas, mesmo que seja os seus amigos gays que ela ajuda a fingir que são héteros. Nem pra eles, ela comenta sobre o seu relacionamento.

Eu entendo o medo de Astrid em se revelar homossexual ou questionar a própria sexualidade e tentar refutar rótulos, eu já passei por isso. Mas evitar conversar com quem passa pela mesma situação ou que se sabe que é gay, parece um exagero. A sensação de encontrar pessoas iguais a você, com sentimentos parecidos é incrível e eu acho que a única coisa que pensamos em fazer é sair botando tudo pra fora e não se esconder.

No fim, quando tudo entra em colapso, ela nega. E o pior, ela passa a lidar com as situações mais horríveis de uma cidade pequena, as pessoas lidando com a vida dos outros e julgando. Pois nada menos que a perfeição e o respeito “da tradicional família” é esperado, mesmo que isso seja pura hipocrisia. Nem sua melhor amiga escapa desse tipo de comportamento.

Enfim, não houve nenhuma empatia com as personagens, talvez com exceção da professora de filosofia e o Frank S. E o melhor do livro ainda são as discussões filosóficas.


Pra finalizar, eu não entendi porque os pais das personagens são chamados de professores, ao longo do texto. Isso me confundiu algumas vezes.

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