26 agosto 2015

E essa Nova Crítica Literária?

Rodrigo Gurgel
Vamos falar de novo de “crítica literária”? Vamos.

Recentemente foi publicada uma notícia sobre a nova crítica literária, nós, bloggers e vloggers, principalmente estes últimos, e no papel que desempenhamos na formação de um público leitor. Sim, nós estamos aqui. Muitos fazendo [muito] sucesso. Mas, não, a crítica literária tradicional não vai acabar.

Do mesmo jeito que o cd não acabou com o vinil e nem o mp3 com o cd, (e ainda tivemos um retorno do vinil), a nova crítica não vai acabar com a crítica tradicional.

Primeiro, porque, embora falem de livros, o fazem de maneira diferenciada, pretendendo cada uma um público e um objetivo específico. No caso da tradicional, o objetivo é alcançar um público mais especializado (especializado, não melhor, ok) e destrinchar todas as nuances e possibilidades discursivas e conceituais, construindo, por vezes, verdadeiros ensaios. Há mais análise, do que julgamento de valor. Diferentemente ocorre na nova crítica, que busca ampliar o número de leitores, que tem em sua missão a formação de um público leitor por meio da afetividade construída com o texto que leram.

Você pode me dizer que falando assim, a nova crítica estaria mais preocupada com a questão mercadológica, do que com a qualidade do que é lido. Não chega a ser verdadeiramente falso, mas não é bem isso.

Ambas se preocupam com o que falam sobre o livro e procuram ser verdadeiros, mas em perspectivas diferentes. Ambas se preocupam com a formação de um público leitor, porém uma pensa mais sobre o texto, as engrenagens e a maneira que a máquina é construída, enquanto outra nos sentimentos e a fruição que ele desperta.

Mas sim, no que se refere ao mercado, a nova crítica faz muito mais parte de uma macroestrutura que busca a circulação do livro, tanto é que editoras tem formado parcerias com os leitores e novos críticos, ao invés de só mandar os livros para os jornais e revistas, que tem lá os leitores mais especializados. Isso faz com que se dê uma empatia muito maior, pois o leitor ou telespectador se sente mais próximo do seu interlocutor.

A escolha pra quem é mandado também não é aleatória. As editoras fazem parceria com canais literários que tem uma maior proximidade com o produto que estão produzindo, tanto que nos formulários de candidatura de parcerias há que se indicar os gêneros mais lidos e resenhados. Tudo isso é gerenciado pela equipe de marketing da editora.

Cabine Literária
Foto: Fernando Mores. Fonte: Veja SP, 12.06.2015
Toda essa mudança, ao invés de fazer com que determinado modo de se fazer crítica desapareça, faz tão somente que uma nova prática surja, instando uma coexistência. Tanto que muitas editoras não abrem mão de ter em sua equipe críticos que escrevem para o site delas, assim como o de enviarem exemplares pra jornais e revistas.

Também temos que perceber que, esses são apenas dois extremos de um longo caminho que pode ser percorrido entre as formas de se fazer a crítica literária. Há canais que já caminham para um híbrido, seja pela maneira mais crítica de pensar as obras, como o próprio mercado livreiro e o universo da leitura e suas práticas.


Agora, para terminar este curto texto, fica a pergunta: será que continuaremos a dizer que críticos não vendem livros e não lotam livrarias? Acho que as editoras apostam na resposta “não”.

2 comentários:

  1. Disse tudo, Dan!!!
    Um tipo de crítica não exclui a outra. Os objetivos e públicos-alvo são diferentes.
    A internet possibilita novas formas de aproximação de um público mais "leigo" (do que uma crítica publicada em jornal por exemplo), e o mercado de livros e a própria crítica literária está se adaptando a isso. Tudo que é novidade assusta. Mas vai dar certo! :)
    Beijos!
    Nati

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    Respostas
    1. Sim, e a adaptação tá sendo tanta que tá juntando as duas formas. Bjo!

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Ronrone à vontade.