15 julho 2015

Será o nosso futuro distópico?

Quando pensamos em distopias, é provável que as primeiras coisas que nos venham à mente sejam o controle de conhecimento e o controle político. No entanto, a política distópica recai no controle dos corpos. O conhecimento e o modelo político servem para conter os desejos e os transbordamentos humanos.

É por isso que em Admirável mundo novo, por exemplo, são distribuídas cotas da substância que faz as pessoas esquecerem os seus problemas e angústias, ou buscam o constante intercurso sexual com uma variedade de parceiros. Já em Submissão, as pessoas são levadas a contrair matrimônio.

Um promove uma espécie de liberdade sexual e o outro uma monogamia. Porém, tudo é controle. A suposta liberdade sexual é a única possibilidade dada e requerida pela ordem social. O mesmo se dá com o modelo monogâmico. Controle.

Controle inclusive no modelo heteronormativo, pois em Submissão os homens são levados a casar com mulheres, e a praticar o que no ocidente consideramos como poligamia, enquanto que em Admirável, a liberdade de não se precisar fazer sexo para a reprodução e manutenção da vida humana, não abriu o horizonte para a diversidade, isso porque em sociedades distópicas, você não pode desejar ser qualquer coisa. Você não pode transgredir o delimitado. Controle.

Os dois modelos distópico, embora caminhando para possibilidades distintas, já que a doutrina islâmica de Submissão é bem diferente da ordem instituída em Admirável, caminham pari-passo a padrões conservadores de conduta social.

O mais estranho de tudo é que, cada vez mais parecemos caminhar para os futuros distópico imaginados nessas obras de ficção, só que todos amalgamados em um único plano, convergindo e transformando-se em algo muito mais perigoso, porque real, de controle social.

A instituição de um estado islâmico na França, em Submissão, revela cada vez mais os problemas de intolerância religiosa, seja com o exemplo islâmico apresentado ou como possibilidade do crescimento das igrejas evangélicas. Do controle do conhecimento por meio da inserção do ensino religioso ou o controle do que é ensinado a partir de dogmas religiosos, do desaparelhamento das instituições de ensino. Do controle político-monetário por meio da formação de blocos políticos, levando países à falência e seus habitantes à miséria, como acontece em A Torre acima do Véu, seja pelo controle da Torre ou do feito pela La Bastilla. Do controle causado pela exposição por meio de realities shows, observados 24 h/dia, que tem a mesma função dos jogos do Antigo Coliseu, onde pessoas se digladiam até uma sobreviver moralmente como heroína de determinada classe ou grupo social, numa espécie de Jogos Vorazes psicológico. E, por fim, do controle sexual em que, de um lado temos uma exposição massiva dos corpos ao lado de um controle excessivo das identidades sexuais.


Quanto tempo mais até estarmos de fato em um mundo totalmente mais distópico do que tudo o que nossa literatura criou? Quanto tempo, precisaremos até algum herói ou heroína nos lançar dúvidas sobre o sistema e então sermos lançados no caos da liberdade?

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