06 julho 2015

O problema da Educação é conceitual

Fonte da Imagem: Portal Educação RS
Não me lembro de em outro momento a Educação estar tão em pauta, seja por conta do lema do novo governo de Dilma Rousseff ou por conta das greves que se espalharam pelo país e a PEC 171 sobre a Redução da Maioridade Penal.

Que a Educação no país tem estado mal das pernas, não é nenhuma novidade. Escolas sem infraestrutura predial ou de material de ensino, como: bibliotecas, laboratórios diversos, espaços recreativos e atividades extracurriculares. Professores mal remunerados e com poucas possibilidades de melhorar a formação, por meio de cursos de aperfeiçoamento ou por aquisição de novos materiais de leituras.

Todos esses problemas nos são conhecidos, porém, a meu ver há um outro problema muito mais fundamental, por ser de âmbito conceitual.

Programas do Governo Federal, que são propostas incríveis e inclusivas, são uma distribuição em muitos aspectos de vagas e de dinheiro público em instituições privadas, além de não garantirem, nem para quem adentra as graduações públicas, a permanência desses alunos. Isso porque, o custo da educação vai muito além de garantir a vaga na universidade.

E quem vai para uma instituição pública cai, muitas vezes, no conceito de educação mais voltada para o pensamento, para o que de fato deveria ser uma educação em nível superior: de reflexão. Isso se torna um problema, pois, sob muitos aspectos, alunos chegam sem saber como se portar no mercado. Por outro lado, as instituições privadas primam pela inserção do mercado, incentivam a produção e a reprodução de apostilões, material didático pronto, que leva o aluno a não desenvolver o hábito da pesquisa e do senso crítico diante das coisas. Aprende-se a técnica, mas ela desvinculada de ideias e de propostas, de nada serve.

É claro que há exceções nesse panorama, mas muito me incomoda esse constante bordão de ter um curso superior para conseguir um emprego, para se inserir no mercado. Tal discurso sobre a Educação Superior não é restrito a ela somente. Percebemo-lo também nos outros níveis educacionais, mesmo os mais baixos.

Vira em mexe aparecem reportagens e notícias sobre alunos que estão se dedicando a Prova Brasil; ao ENEM então, nem se fala. Estuda-se não pelo conhecimento, mas para conseguir passar em alguma coisa ou alcançar algo mais palpável. Uma forma de pensar a Educação que nos automatiza, que não nos torna cidadãos mais críticos e que por isso não conseguem transformar a realidade ao seu redor, de serem empáticos.


Para mim, esse tem sido o problema fundamental da Educação, pois esse modelo é o que faz o seu próprio objeto ser tratado com tanta indiferença e descaso. É preciso se voltar para um ensino que também se preocupe com a ideia de filosofia, em que as pessoas amam o conhecimento. Em que o pensamento seja desenvolvido, que se estude não só para provas e testes, mas por que se entende que esse conhecimento é importante, mesmo que possa parecer não ter aplicabilidade imediata.

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