21 julho 2015

Jurassic Park, Michael Crichton

Jurassic Park, de Michael Crichton e com nova edição da Editora Aleph, é o quarto livro da Maratona Literária de Inverno 2015, mais conhecida como #MLI2015.

O livro no qual foi inspirado o filme homônimo de Steven Spielberg em 1993 e o seu remake, agora em 2015, fala dos planos do Sr. Hammond em criar um parque de diversões que unisse não só brinquedos como uma espécie de zoológico de criaturas há muito extintas, os dinossauros. E em como esse projeto falha completamente.

Em termos gerais, essa é a história de Jurassic Park, que inicia não no parque, que está prestes a ser inaugurado, mas com uma explicação e contextualização dos ambiciosos planos do Sr. Hammond no campo da Engenharia Genética e dos avanços tecnológicos durante toda a década de 80 e início dos anos 90, aliados as pesquisas de paleontólogos sobre os dinossauros.

Junto com essa contextualização também nos vão sendo apresentados alguns casos, que já são desdobramentos do descontrole que a pesquisa sofre, com suas inúmeras variáveis não consideradas e inimaginadas.

E é aqui o ponto que considero como fundamental, o plano de fundo que guia toda a história: o descontrole, o caos. Jurassic Park embora fale muito em engenharia genética, paleontologia e tenha muitas “cenas” de ação com dinossauros inteligentes e/ou cruéis, como o T-Rex ou o Velocirraptor (que pra mim é a grande estrela do livro), é essencialmente um livro dedicado a falar sobre a teoria do caos, no qual é impossível controlar sistemas simples, quando eles envolvem uma variável tão instável como é a natureza.

Ao querer brincar de Deus, o Sr. Hammond junto de sua equipe tentam recriar um ambiente de milhões de anos atrás e controlá-lo, como se os dinossauros fossem de fato brinquedos, robôs que pudessem ser programados, principalmente, no que concerne a visão do Sr. Wu, que é quem desenvolveu todo o trabalho de reconstrução genética.

Outros são os indícios que nos levam a apostar nessa visão teórica que permeia todo o livro, como os nomes dos capítulos: “Interações”, que sempre vem acompanhando uma explicação em forma de legenda sobre a teoria do caos, na voz de Ian Malcolm, com desenhos que vão se construindo como dobras sobre de si, cada vez mais detalhados. Fractais.

A edição da Aleph é bonita, no entanto nada de tão surpreende, quando percebemos no mercado edições de outros clássicos do terror ou da ficção científica, além de apresentar alguns problemas de revisão no texto e nas divisões das Interações. Ambas a 3 e 4 apresentam a mesma legenda, quando deveriam ser diferentes.

A edição ainda acompanha uma entrevista com Crichton, à época do lançamento do filme dirigido por Spielberg, em 1993, e no qual ele colaborou com a escrita do roteiro, bem como um posfácio de Marcelo Hessel, do site Omelete.

Sobre esse posfácio, Hessel faz críticas à construção de Jurassic Park, tanto pro lado de Crichton como para o lado de Spielberg, unindo ainda mais a versão literária de sua versão cinematográfica.
Há um tom de julgamento de valores por parte de Hessel, que evoca padrões de família e de estrutura social, não só do homem, “ser racional”, e animais, “seres bestiais desprovidos de razão”, assim como de homem em relação com o feminino, tanto dos animais como de humanos.

Não desconsidero que em certos aspectos, Hessel tenha um grau de razão, mas penso que ele também desconsidera o momento da escrita do texto e consequentemente da produção do filme. Se há um problema com uma visão machista e patriarcal, devemos lembrar que estamos falando de algo produzido no início dos 90. Ainda hoje temos problema com isso, não só na representatividade feminina no literário, como também no meio cinematográfico, vide os inúmeros discursos de atrizes em premiações sobre os salários pagos para elas em comparação com os de sua contraparte masculina.

Mas, além de desconsiderar esse aspecto, que explica e não justifica, Hessel não percebe que no final o feminino se mostra uma força que consegue seguir o seu caminho e sobreviver, afinal os velocirraptores, mesmo com a deficiência em lisina, conseguem desenvolver meios de migrar como tanto desejaram. Sobrevivendo assim a destruição da Ilha Nublar. Provando que a natureza consegue driblar a “inteligência” humana, sempre encontrando um caminho de continuar.


Por fim, o livro é incrível! Muitas informações e ação, que não nos deixam cansados, mas querendo mais, isso porque Crichton constrói capítulos em sua maioria curtos, o que acrescenta em dinamismo ao longo de suas 507 páginas (de romance, o livro tem 528 páginas).

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