01 julho 2015

Infâmia (1961), William Wyler

Crianças são inocentes? Até que ponto devemos considerar a palavra de uma criança como verdadeira?

Esses questionamentos surgem, invariavelmente, não apenas para nós, telespectadores do filme Infâmia, de William Wyler, estrelando a eterna Bonequinha de luxo Audrey Hepburn, Shirley MacLaine e James Garner, como também as personagens do filme.

No filme, Hepburn e MacLaine interpretam duas professoras de um colégio próprio, só para meninas. Uma das estudantes, garota mimada e com uma tendência para a maldade, vive se metendo em encrencas e é constantemente chamada a atenção, por conta disso, acaba por detestar a escola e as professoras.

É esse sentimento de estar sendo constantemente injustiçada mais más-interpretações e incompreensão do que vê, levam a garota a dizer para sua avó que as duas mantém um relacionamento sexual.

A mentira vai sendo sustentada por vários artifícios empregados pela menina, até a chantagem de uma colega de escola e, com o desenrolar de outros acontecimentos, fazem não só com que elas fiquem sem nenhuma aluna, como também serem julgadas judicialmente como culpadas.

No desamparo, a professora interpretada por Hepburn acaba desfazendo o seu noivado com o primo Joe (Garner) e ouvir a confissão, de que sim, sua colega é mesmo apaixonada por ela. Nesse meio tempo, a avó da aluna que as acusou descobre toda a farsa e se compromete a fazer o pedido de desculpas público e a indenizar as professoras. Tarde demais para resolver todos os danos causados pela mentira da neta dessa senhora.

Não bastasse toda a tragédia que já se sobrepõe a vida das professoras, haja vista que tudo se passa pelo início dos anos 60 com uma sociedade bastante preconceituosa, a personagem de MacLaine se suicida.

Quais as funções da morte?

A morte pode ter várias funções dentro de uma narrativa, como desencadear reviravoltas, ser elemento de redenção e purificação de uma determinada personagem ou, como no caso da morte da personagem de MacLaine, uma via fácil de resolver um imbróglio.

Ora, mesmo com o pedido de desculpas público, a reputação das professoras ainda ficariam manchadas e, mesmo que isso não fizesse diferença para a sociedade, a professora interpretada por Hepburn já havia tomado conhecimento do amor de sua colega por ela. Situação difícil de continuar, mesmo com Hepburn considerando ser possível elas continuarem a viver juntas.

Mas a professora apaixonada não parece pensar assim. Ela se vê num sofrimento de amar uma amiga e na impossibilidade permanecer ao lado dela sem a prejudicar, por isso se mata. O suicídio encerra assim o problema moral que se impõe entre as personagens com reputação manchada, por conta da mentira de uma garotinha mimada.


Um final muito condizente com o pensamento sobre relacionamentos entre homossexuais e heterossexuais, uma impossibilidade, já que poderia desvirtuar a reputação destes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.