27 julho 2015

Garota Online, Zoe Sugg

Por Isabelle Pantoja

Garota Online é o primeiro livro da vlogger britânica Zoe Sugg (deixem o YouTube pra depois, terminem o texto).Popularmente conhecida na internet como Zoella, a autora já contava com um número considerável de fãs que esperaram ansiosos o lançamento do livro.

Não sou uma leitora de chick-lit (leitura voltada principalmente para o público feminino, vulgarmente chamada de “Literatura de Mulherzinha”), na verdade em “todos esses anos nessa indústria vital é a primeira vez” que leio um livro do gênero. Por isso, parti para essa leitura sem graaaandes expectativas (!) já sabendo que não faço parte do público alvo dessa publicação: o teen chick-lit, ou YA.

O enredo não foge muito ao que conhecemos: Penny Potter é uma adolescente de quinze anos que tem toooodas as neuras e problemas que uma garota nessa idade enfrenta (e que só na fase adulta percebemos que não eram problemas sérios): se acha estranha e desajeitada, o que faz dela ansiosa e sem jeito com os garotos. Nesse contexto, claro que não poderia faltar o melhor amigo - fantástico - Ellio, o personagem secundário que diz as melhores frases de todo livro e que ajuda a menina com todas as suas angustias, além de pais legais e um irmão ausente, nenhum ineditismo até aqui.

Por isso, o ingrediente a mais na receita do enredo é o fato de Penny usar a internet para “resolver” seus conflitos. Sob o nickname Garota online, a protagonista fala de suas dificuldades com seus seguidores, usando o anonimato para poder “ser ela mesma” e assim ter a opinião e apoio de pessoas que vivem dramas semelhantes.

A personagem se envolve em diversas situações constrangedoras e engraçadas, já que apesar de sofrer com seus dramas, Penny encara tudo com bom humor (afinal é nossa mocinha) e como previsto, é quando ela acredita que tudo vai de mal a pior que conhece seu par ideal; Noah, o garoto dos sonhos, que faz coisas legais e diz tudo que uma menina quer ouvir (!), para depois por algum motivo magoá-la e poder fazer algo mais legal ainda para se desculpar... blá blá blá, a “Sessão da tarde” nos fez especialistas nesse tipo de enredo.

Mas, ainda com tanta previsibilidade, a história tem em seu ponto alto a sensibilidade para tratar de questões que podem não atingir apenas o publico juvenil como, por exemplo, os ataques de pânico que a protagonista tem, mas que consegue superar com a ajuda de Noah (nossos amigos psicólogos odiando essa parte da história). Ou mesmo o problema do cyberbullying que é abordado de forma muito verossímil quando um vídeo da personagem torna-se viral deixando-a muito deprimida.

Com elementos atuais como referências da cultura pop e todo o ambiente das redes sociais, Zoe acerta mesmo é na “moral da história”. Ao fim da narrativa autora deixa um conselho, quase um apelo, muito pertinente para todos que fazem parte dessas mídias sociais:
Toda vez que você posta alguma coisa online, você tem uma escolha.Ou pode fazer disso uma alavanca para elevar o nível de felicidade no mundo, ou pode usar como uma ferramenta para destruir essa felicidade. [...][...] da próxima vez que você for postar um comentário, uma atualização ou compartilhar um link, pergunte a sim mesmo: Isso vai contribuir para felicidade no mundo?Se a resposta for não, por favor, delete. (p. 297)

Por fim, num mundo com tanta exposição descomedida, com sua narrativa fácil e despretensiosa, Garota Online acaba cumprindo seu papel aos leitores que se destina: lembrar que estar online é uma ação que envolve mais responsabilidade do que parece.


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