16 junho 2015

A Arma Escarlate, Renata Ventura

Capa da segunda edição de "A arma escarlate".
Continuando com o mês de resenhas de livros de autores brasileiros atuais, hoje trazemos o livro A arma escarlate, de Renata Ventura, publicado pela Editora Novo Século.

O livro considerado pela crítica como o Harry Potter brasileiro tem em seu gênesis os romances de J. K. Rowling, que, certa vez, disse que quem quisesse escrever sobre escolas de bruxaria fora do contexto europeu, que ficassem a vontade. Foi justamente o que levou a construção de A arma, porém, se engana quem pensa que Renata se ateve ao modelo Rowlingniano de fantasia.

No romance temos Idá Aláàafin, que mais logo se tornará Hugo Escarlate, menino de 13 anos morador da Favela Dona Marta, no Rio de Janeiro. Idá é um menino de paradoxos, ao mesmo tempo em que tem princípios bem rígidos sobre como se dá a educação e de que como ela deveria ser, vive se metendo em encrenca com os traficantes. São justamente essas encrencas que o perseguirão até a sua ida à Nossa Senhora do Korkovado, escola de magia e bruxaria carioca.

Escolas de bruxaria e a história de um bruxo novo, se descobrindo nesse novo ambiente, talvez sejam os únicos elementos que se aproximem realmente do romance de Rowling, pois a estruturação do romance é completamente diferente, mesmo a personalidade do nosso herói.

Claro que temos inúmeras referências às passagens dos livros de Rowling e é delicioso nos depararmos com elas, descobri-las em meio aos pulos do gato, que Renata vai dando em seu texto, mas há muito mais.

O mundo criado por Renata se afasta em muito, quando comparamos com Harry Potter, da fantasia. O urbano, os problemas sociais da favela, o jeito brasileiro de conduzir as coisas, estão muito presentes, são mesmo os problemas mais centrais que o herói tem que enfrentar.

E isso é incrível, não só porque injeta o fôlego necessário para preencher as 485 páginas do romance, mas por aproximar o leitor de sua realidade, de fazer uma crítica social sobre a realidade desse nem tão distante 1997 e contrapor com o que temos visto nesses últimos anos.

No que se refere ao fantástico/ fantasia, é um tributo, de certo modo, à cultura brasileira e a sua formação, com várias referências as matrizes africanas e indígenas religiosas e linguísticas, por exemplo, ou aos fatos históricos “reais”.

No mais, como não amar Zô?

A Arma Escarlate faz parte de uma “quintologia”, na qual, cada livro nos apresentará uma escola de magia e bruxaria brasileira. O segundo volume, A Comissão Chapeleira, já foi publicada e se passa em Salvador, enquanto o terceiro já está em gestação e se passará na região norte, de acordo com a própria autora.


Já leu o livro? Gostou da resenha? Sim? Não? Deixe um comentário.

Não deixe de indicar o blog pros amigos e curtir a página no facebook e nos seguir no twitter.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ronrone à vontade.