25 maio 2015

Sobre a escrita, Stephen King

Você não precisa de cursos ou seminários de escrita mais do que precisa deste livro ou de qualquer outro sobre o assunto (p. 201)

Fonte: Google images
O selo Suma das Letras da Editora Objetiva lançou recentemente o livro Sobre a escrita, do escritor norte-americano Stephen King.

Em suas 255 páginas, King busca traçar em princípio situações que ele, de certa forma, pensa que contribuíram para que ele se tornasse um escritor, seguido de uma seção em que ele apresenta as ferramentas necessárias para se tornar um bom escritor, pois ele acredita que você poder se tornar um bom escritor, desde que haja trabalho e empenho.

Na parte homônima ao título do livro, o autor começa a falar do processo de escrita, mais propriamente dito, sobre ideias, revisões e mercado editorial, com bastantes referências a sua vida de autor e referências as outras obras.

O livro é finalizado falando sobre o processo de retomada da carreira de escritor dele, após um acidente sofrido em 1999.

Ainda temos uma lista de referências para leitura, e é aqui que começa alguns problemas que eu identifico no livro, que é o de apresentar e referenciar constantemente autores que nos são desconhecidos, seja por não terem sido traduzidos para o português ou por suas obras não terem divulgação, tornando-se assim mais conhecidos apenas por leitores muito específicos. Ou seja, o livro acaba sendo muito restrito ao público norte-americano.

Isso acontece não apenas no que se refere a lista final, mas com a sugestão de pesquisa em publicações que falam sobre o mercado editorial em relação ao público de editoras e revistas literárias, bem como de agentes literários, pois não temos, até onde eu tenho conhecimento, nenhuma publicação nesse sentido. Assim, os mecanismos que ele nos propõe acaba por não servir, muito embora possa sugerir a iniciativa de pesquisa de público e de quem é mais indicado para publicar o que quem quer ser escritor produz.

No mais, as indicações do senhor King, embora vindo de alguém de bastante sucesso e que ganha dinheiro com isso, acabam sendo bem mais comuns do que muitos podem supor. Há no mercado, já algum tempo, várias publicações que falam sobre escrita, no sentido de Escrita Criativa, de cursos que pensam a produção escrita para o mercado editorial de livros de ficção. Inclusive, seguindo a mesma perspectiva de exemplos de obras e de práticas de escritores canônicos, principalmente, da literatura universal.

O que faz a diferença é que é um romancista de livros best-sellers, de uma figura pop, não um trabalho de um acadêmico, de um crítico ou de um professor (muito embora, King tenha exercido o magistério na disciplina de Escrita Criativa). Não que esses trabalhos se tornem inferiores ao de King, só que eles não trazem o caráter intimista que ele imprime no que escreve. Além das anedotas de outros autores, King fala dele mesmo, conta as suas histórias, o que justifica o subtítulo do livro “A arte em memórias”.

O caráter intimista dele também faz com que algumas coisas que ele diz sobre o trabalho de escrever (sim, gente, ser escritor é trabalho e como ele mesmo diz, requer disciplina), seja encarado com muito bom humor, ao invés de falar que é muito fácil ele dizer isso ou que essas coisas são besteira e outras coisas.


Stephen King.
Fonte: Google images
Se, no entanto, você não quiser sentar o rabo e trabalhar, não há razão em tentar escrever bem (p. 125).

Porque, convenhamos, King ao falar isso toca no ponto do “por que você quer ser escritor?”, pergunta que está relacionada à ideia que se faz da profissão e dos caminhos que devem ser seguidos para chegar ao objetivo. E muitos desconhecem ou conhecendo ignoram, focando só na parte de ter o livro publicado, dinheiro e ser conhecido.

Se você está fazendo isso pra ter sucesso e dinheiro, bom, como o Danilo, autor de Por que Indiana, João?, no vídeo O mundo não precisa do seu livro, melhor você seguir outro caminho. O King também fala isso. Os editores em cursos dizem isso (no caso destes, é óbvio que eles querem que o livro seja um sucesso, mas também querem algo que seja consistente e para isso há que esforçar e trabalhar bastante).

Eu mesmo, já, há um tempo escrevi sobre o trabalho que um escritor tem, ao produzir o seu material no texto Quero ser escritor, que, aliás, também indica alguns livros para quem quiser saber sobre publicações que abordam Escrita Criativa e como funcionam as engrenagens da ficção.

Mas como também alerta Stephen, você precisa dessas coisas: livros sobre escrita criativa e mesmo cursos, muito pouco, embora ele não exclua de todo a necessidade de mecanismos como esse, apenas diz que isso não o fará ser um bom escritor. Para isso, é necessário, como já se disse aqui, em vídeos e em outros livros, trabalho.








Sobre a escrita
Autor: Stephen King
Tradução: Michel Teixeira
Páginas: 255
Preço: R$ 39,90


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2 comentários:

  1. Olá, Dan!
    Como já te disse, esse é um dos livros do King que mais tenho curiosidade de ler. Não sou adepta da literatura de terror (tenho medo!), e já ouvi falar que esse aí é bom. Foi muito interessante ler suas ressalvas a respeito do livro, ainda não tinha visto ninguém dizer essas coisas sobre as listas voltadas ao público norte-americano, isso realmente prejudica a efetividade da leitura para nós, brasileiros.
    Beijos!
    Nati

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