25 maio 2015

Clube do livro: uma proposta de promoção da leitura na escola

Encontro do PA Book Club na Saraiva Belém.
Eu sempre fui um leitor mais solitário, comentando com um ou outro amigo sobre o livro e, por vezes, debatendo as questões que acreditava lá estar presente. Mesmo com o blog e participando de grupos voltados para leitores, acabava ficando um pouco mais na minha. 

Ainda é assim, hoje em dia, tanto que, não acho que todo livro que eu leia tenha que ser estritamente resenhado para o Folhetim. Acredito que algumas leituras, incríveis ou nem tanto, são, por diversos motivos, íntimas e afetivas de mais para serem lançadas assim no mundo.

Também nunca achei que fosse primordial saber pela boca dos outros qual livro deveria comprar ou que autor devesse ler, nem mesmo como indicação. Sobre a imposição, por meio das leituras obrigatórias, muitas delas não foram lidas.

(Se algum professor meu de literatura, na graduação e na pós, estiver lendo isso, sinto informar, que talvez você tenha sido um dos que foram brilhantemente enganados pelo bom uso de uma oratória e de uma escrita razoável).

Não achando essencial, também nunca me fez me aproximar tanto dos blogs e vlogs literários, como um assíduo acompanhante. Há outras questões é claro e, graças, que alguns canais estejam mudando as perspectivas de tratar a questão literária, para além do comentário de enredos.

Isso também justifica eu nunca ter ido atrás de participar de grupos de leitura, mas, depois do Curso de Editar livros, que fiz no início desse mês, a curiosidade em participar apareceu, por meio do convite da Fernanda, colaboradora do Blog Literário GarotaPai D’Égua.

Foi por causa desse convite que, no domingo, um pouco antes das 15 h da tarde, eu já me encontrava na Saraiva do Shopping Boulevard para o segundo encontro do mês do PA Book Club, para falar das minhas leituras desse mês.

Confesso que de início fiquei receoso de só encontrar gente falando dos livros do mês ou de livros mais “adolescentes”, porém fui surpreendido não só pela variedade de tipos, como também um arcabouço literário enorme. E, pra quem ainda insiste na ideia de que meninos não leem clássicos, mano, vocês precisam parar pra escutar eles falarem do que tem lido e as referências que eles conseguem buscar e associar.

Assim, passei uma tarde super agradável, descobrindo e redescobrindo livros e leituras, gostos e pessoas, o que tornou a ideia de escrever essa postagem sobre o encontro e talvez associá-la ao ensino e promoção da leitura, que já tinha sido pensada antes do encontro, ainda mais necessária.

Aqui, farei uma pequena digressão.

A proposta de associar o encontro do livro com uma possível proposta de trabalho em colégio surgiu por conta de um grupo de pessoas, da qual eu estou fazendo parte, em pensar mecanismos que possibilitem a promoção de um ensino mais eficiente por meio da promoção da leitura. Assim, discutimos e compartilhamos em meio virtual leituras, questionamentos e ideias que surjam, a fim de dar corpo a propostas que possam ser efetivamente postas em prática.

Como a experiência com o clube do livro foi agradável, a perspectiva de pensar em fazer disso uma proposta pedagógica me pareceu ser um caminho pro que estamos tentando discutir no grupo.

Mas como organizar isso?

Bom, sei que primeiramente temos que pensar na questão de estrutura. Nem todas as escola tem biblioteca ou muitos livros disponíveis, mas dá pra tentar contornar a situação.

Nas escolas em que houver uma biblioteca, a utilização do espaço, com a possibilidade dos alunos poderem ver os livros e selecioná-los eles mesmos na estante, é uma coisa que já vai tornando o contato com o objeto mais próximo, do que o de solicitar um livro pro bibliotecário.

Campanhas que a escola promova para arrecadar livros, parcerias, livros que os alunos tragam de casa, movimentos de trocas de livros... Enfim, as possibilidades são muitas.

No que se refere ao trabalho direto com os alunos, acho que podemos fazer em todos os níveis.

Com os pequenos maiores intervalos de tempo para leitura dos livros, com um encontro por mês e uma média de pelo menos dois livros mínimos lidos, me parece suficiente. E, como se tratando de crianças pequenas, o trabalho de avaliação deveria ser feita no modo como eles se expressam por meio da oralidade, por meio da capacidade de síntese da narrativa, da seleção dos aspectos que eles consideram bons e ruins e porquê. Um jeito de já ensinar o domínio de falar em público, em argumentar, descrever e ter confiança são algumas das capacidades desenvolvidas no processo.

Com os maiores, dois encontros por mês e no mínimo três livros nesse período. Os encontros temáticos, além de possibilitar um maio conhecimento do que se produz literariamente também faz com que se saia do ranço da literatura historiográfica e da eleição dos características dos movimentos literários (que supõe serem passíveis de se encontrar em todos os textos de determinado autor de tal época), indo pro que aqui já foi discutido como “Cartografias literárias”.

Além de se falar do livro, o professor pode solicitar produção de textos, sejam eles voltados para comparação entre o texto lido e outras áreas da Arte ou para questões políticas e sociais, desenvolvendo assim o pensamento crítico, argumentação consistente.

(Seria ideal ser fora do horário de aula e reunindo todas as turmas da mesma série).

Duas coisas aqui são importantes de se observar na proposta: O professor também deve participar como leitor e expositor e, no que se refere aos temas estabelecidos de leitura, buscar levar livros tidos como clássicos para o conhecimento dos alunos.

Outro ponto que pode ser pensado dentro da proposta é que o professor peça para que todos leiam o clássico por ele indicado, da mesma forma que, dentre os livros levados pelos alunos, que foram de escolha autônoma, seja escolhido um para a leitura dele, para que ele também faça exposição.

Cria-se assim, uma relação não só de proximidade entre alunos e livros, o gosto pela leitura, mas a proximidade entre aluno e professor, numa relação de confiança, que poderá acabar com preconceitos literários da parte de ambos os lados.

Também acredito que isso fará com que o professor, aquele que geralmente é o primeiro a dizer que seus alunos não gostam de ler, pegue em livros, porque suspeito que ele, e não os alunos, é o que menos lê nessa relação.

Parte do pessoal que participou do Encontro, nesse domingo.
Eu sou o que tá atrás da câmera. rs


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5 comentários:

  1. Muito interessante a proposta, Dan! Ando pensando bastante a respeito do estímulo à leitura nas escolas, e me parece que é feito de maneira bem equivocada mesmo, através da obrigatoriedade de algumas obras específicas, muitas vezes nem adequadas ao público escolar, etc. A ideia do clube do livro é ótima, pode-se até pensar em uma atividade extracurricular dependendo do caso da escola, das turmas, do professor, etc. As habilidades que esse tipo de atividade desenvolve foram muitíssimo bem enumeradas por vc no texto. Me lembro que, na 4ª série, sentávamos em roda com a professora de português e toda semana tínhamos que ler algum textinho interessante para a turma toda, e depois comentá-lo. Eu adorava essa atividade!
    Beijos!
    Natasha

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    1. Pois é, as crianças adoram falar, mas vão se tornando mudas. Lembro de uma atividade que fiz certa vez na quinta série. Quando eu pedi pra que eles comentassem se conheciam histórias parecidas, até de video game falaram e não era besteira. E todos parecem ter se divertido com a atividade de leitura e comentário. Ensina tantas coisas, como respeito a opinião do outro, contra-argumentar e escutar...

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  2. Olá, Daniel! Muito obrigada pela postagem e pela presença no encontro!
    É sempre um prazer receber pessoas novas ♥
    Amei teu texto e devo confessar que sempre tive inclinação para projetos que envolvem leitura. Já até produzi um. Espero muito poder trabalhar especificamente na área da educação salientando a importância da leitura para todos. É tão fundamental, sabe.
    Podemos trocar mais a respeito disso num próximo encontro.
    Beijos, querido ♥

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  3. Tua participação na reunião foi bacana. E da Isabelle tb. Voltem sempre.
    O Guimarães Rosa cunhou uma frase que acho que se aplica ao momento: " É junto dos bons que ficamos melhores". O PA detém uma magia oriunda das misturas dos relatos e da soma de diferentes estilos. A beleza do grupo reside na sua pluralidade que nao rejeita estilo.
    Na primeira vez que fui ao PA eu me espantei com a juventude dos participantes, mas fiquei mais surpreso com riqueza dos relatos e das associações.
    Eu já frequento as reuniões há mais de dois anos e sou quase dependente das reuniões, pois renovam meu espírito e me enchem de alegria.
    Na verdade, é possível resumir o que escrevi: O PA e seus participantes são lindos.

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  4. Gostei da proposta Daniel!
    Como sempre comentávamos durante as (muitas) discussões na pós-graduação, ficar apontando problemas na formação leitora dos alunos não ajuda. O ideal é ter “planos de ação” (como este) para mudar esse quadro.
    Sobre o PA, Daniel expressou bem como nos sentimos nesse primeiro encontro: Acolhidos! Pode até parecer loucura passar mais de quatro horas falando de livros, dividindo experiências literárias e compartilhando o amor por um (dois, três...) autor. Mas, essa aparente loucura e incomum paixão pelos livros que os participantes do PA compartilham, me deixou muito feliz! Encontrar esse montão de literatos me deu uma nova perspectiva sobre essa geração de leitores que eu, até então, desconhecia. Já estou convidando amigos para difundir esse grupo lindo!
    Voltaremos Marcelo! E com mais agregados ;)

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Ronrone à vontade.