29 abril 2015

Os Futuros Clássicos e as Histórias da Literatura

A Revolução Gutembergniana aliada a Globalização produziram, no mundo da escrita, tal alteração na produção literária, que produzir Histórias da Literatura, principalmente após o surgimento do gênero romance, uma tarefa extremamente árdua.

Antes da imprensa, produzir e ler livros eram práticas restritas, mesmo entre pessoas abastadas, tendo em vista que, cópias eram caras e nem todos eram letrados. Também se deve lembrar que a instituição do colégio público e da massificação da educação é um processo bem recente e o acesso a esse tipo de bem cultural, o livro, mais ainda, quando pensamos em Brasil.  Além disso, antes do advento romance, obras entravam no cânone por respeitarem regras gerais de composição, o que facilitava a identificação de boa e má literatura.

Já sobre o momento anterior ao nosso mundo globalizado e de rápido deslocamento, adquirir livros de outros lugares, também era difícil, tendo em vista as dificuldades de locomoção, o que inviabilizava uma massificada propaganda livresca, embora não de todo, já que verifica-se em vários gabinetes a existência de obras em comum, muitas vindas de além-mar.

Assim se formaram as listas de livros clássicos encontrados nas Histórias Literárias, mas não só por isso.

Entretanto, com a invenção da imprensa e o surgimento do gênero romance, primeiramente em folhetins e depois editados em formato livro, uma profícua produção livreira se instaurou, tornando assim a escolha do que é boa ou má literatura algo um tanto mais subjetivo, político e primordialmente ideológico. Não que antes também não o fosse, já que a instituição de parâmetros é sempre arbitrária.

Isso é verificado nas variações existentes, ainda que pequenas, nas Histórias da Literatura, em que determinadas obras aparecem no lugar de outras, ou mesmo autores. Outro fator que leva essas diferenças pode ser indicado, com algumas ressalvas, ao local de onde o Historiador Literário procede.

Contudo, como dito no início deste texto, cada vez mais se escreve e produz obras literárias, evidenciando ainda mais esses pontos sobre as escolhas das obras que compõe o cânon, portanto a pergunta que fica é:

De nosso tempo e nossa geração, quais serão os autores e obras que, junto com Homero, Virgílio, D. Diniz, Camões, Fernando Pessoa, Olavo Bilac, Gregório de Matos, Machado de Assis. Mia Couto, Ondjaki e tantos outros, comporão o cânone literário de língua portuguesa?

A mesma pergunta se aplica as histórias literárias de qualquer outro país.

Talvez o movimento de formação de um novo cânon, um que se remeta a produção literária do nosso momento em um futuro, seja ajudado não só pela prática de se considerar já alguns autores vivos clássicos, como também o movimento de instituir, por meio de listas, novos autores que possam fazer parte desse cânon, como é o caso da seleção de autores que a revista GRANTA tem feito em suas edições, onde busca revelar (sendo mais preciso estabelecer) escritores de grande potência literária, que estão em plena produção.

É claro que, a crítica que escolhe tais autores está pautada como sempre em uma ideia de boa literatura, que está sempre vinculada a uma determinada formação literária e que por isso pode deixar de lado inúmeros outros autores e obras de lado, como já aconteceu anteriormente.

Pensar assim, implica que, pouco provável que sub-gêneros, que hoje em dia fazem extremo sucesso, alcem um status mais elevado, como muitos desses livros de fantasia, que abordam vampiros, fadas, anjos... embora eles sejam lidos no cotidiano e tenham o seu público cativo.

No mais, o futuro da literatura e das histórias literárias me parece ser o que sempre foi, uma seleção de textos, que serve para dar o ar de uma época literária, uma espécie de resumée do que foi produzido de mais importante dentro dessa cultura literária e esta, muito provavelmente seguirá o caminho já estabelecido, em maior e menor grau, pelos seus antecessores e sempre e cada vez mais em dificuldade, haja vista a quantidade de livros produzidos anualmente.

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