31 janeiro 2015

A crítica literária*

O crítico literário
Imagem: Canto dos Livros
Escrever sobre obras não é uma das tarefas mais simples e, às vezes, nem das mais gratas, pois lida não só com o ego do escritor (caso ele esteja vivo e seja fluente na sua língua), mas também com os que estão envolvidos financeiramente na publicação da obra e que, portanto, querem que ela seja vendida; e com os leitores, que estabelecem uma relação de afetividade forte com o texto.

O crítico literário é aquela pessoa que, ao se debruçar sobre uma obra literária, o faz de modo a perceber os mecanismos de sua construção, em vez de só se ater a fruição que o texto pode lhe causar ou ao conhecimento do enredo. Ele não pode se render ao caráter passional, que muitos dedicam ao texto.

Sendo assim, é necessário um conhecimento mínimo, mesmo que não acadêmico, de elementos narrativos e de construção textual. Deste modo, a opinião que ele elaborará sobre a obra, embora também pautada pelo que ela lhe desperta, tem que ser alicerçada em elementos do próprio texto. Tem que ser exemplificada a opinião que está a ser construída com elementos do próprio texto, e deve procurar abordar as coisas que funcionam, bem como as que parecem deslocadas na narrativa.

Diante disso, temos um primeiro tipo de crítica, que se dedica exclusivamente ao texto e seus mecanismos internos de organização. Há, ainda, outros dois tipos básicos: 
  1. A crítica que leva mais em consideração às discussões que podem ser feitas a partir do texto, o extratextual, o que está extrínseco ao texto e, 
  2. A crítica que leva e consideração tanto os aspectos intrínsecos como extrínsecos.

Esta segunda, por motivos muito óbvios, é a mais completa, já que leva em consideração não apenas as engrenagens textuais, mas os elementos culturais que o texto evoca em seu enredo.

No entanto, a crítica ainda é uma percepção particular, mesmo que pautada em exemplos do texto. Mas para ser o que é, deve ter esse caráter último, para não cair em achismo e gosto pessoal.

O grande barato da literatura é justamente esse, não há verdade absoluta sobre o texto. Críticas são apenas apreciações da obra, e não devem ser tomadas como atestados de boa ou má qualidade do texto (de um modo mais abrangente).

Exemplo disso, é que, tanto livros que foram considerados ruins, em sua época de publicação, depois foram alçados ao Olimpo literário; o contrário também acontece, como os romances que foram super bem aceitos e lidos, e ficaram na margem do tempo, esquecidos pelas gerações futuras – mesmo que também tenham sido bem recebidas pela crítica.

Diz que Paulo Coelho, sobre o trabalho dos críticos, diz que eles não fazem a livraria encher. Concordo, pois, o sentido que encontro para isso é que, independente do que o crítico diz, o que valida um autor é o interesse que a obra desperta em quem fica sabendo dela. A concordância ou não com o posicionamento do crítico só pode se dar no momento da leitura e ratificada ao término.

Contudo, a contra-argumentação, quando existir, não pode se pautar puramente no: “você não entendeu” ou “você não deve ter lido o livro”, muito menos “o livro é perfeito”. Ela deve ser feita também se apontando as características que se considera como primordiais para dizer se o texto é bom ou não.

*Há ainda a crítica acadêmica, que atinge um outro patamar de percepção literária, muito mais aprofundada em elementos teóricos sobre literatura, por exemplo, e, assim, se diferenciando da crítica feita em blogs e vlogs literários.

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