04 outubro 2014

O dia em que aprendi a assobiar

Acho curioso como certas memórias, que parecem ter sido bloqueadas, acabam se manifestando em determinadas fases de nossa vida e que, quando isso acontece, a gente fica ate em dúvida se não é coisa imaginada.

O que eu vou contar agora s encaixa justamente dessa categoria de coisas que nos parecem transitar fluidamente entre o lembrado e o imaginado. É sobre o dia que eu aprendi a assobiar, e do qual só vim me lembrar muitos anos depois, já na minha adolescência e a descoberta do desejo sexual.

Não lembro quantos anos eu tinha, mas é muito provável que ainda não tivesse seis anos. Por algum motivo fui deixado na casa da minha avó, o que não era muito comum. Minha avó naquela época já era velha. Velha e chata. Acho que nunca fomos um com a cara do outro. Ela só sabia assistir o programa do Sílvio Santos e ficar falando coisas sobre Deus e de como nós éramos pecadores e que seríamos castigados e coisas do tipo.

Na casa dela moravam ainda três tios. De dois eu já não gostava muito na época e sempre procurei evitá-los. Uma vivia falando mal de minha mãe e o outro sempre tinha algo desagradável para falar dos sobrinhos. No caso dos meninos, todos era viados e ele era o único macho comedor de bucetas da família inteira.

Mas tinha esse terceiro tio. Não tenho muitas lembranças com ele e, se for comparado com as experiências que tive com os outros dois poderíamos quase afirmar que ele não existiu na minha vida. Porém, se hoje eu sei assobiar, é porque foi ele quem me ensinou.

Mas eu estou me adiantando muito.

Como eu disse, fui deixado nesse dia na casa da vó, que tinha um quarto no térreo da casa, enquanto os tios dormiam em quartos no andar superior do sobrado. E ela nao me deu muita atenção, o que era bem normal, haja vista que não nos gostávamos. Fiquei então na companhia desse meu tio, o que eu não desgostava.

Ele me mostrou em seu quarto umas revistas pornôs, não que já naquela época eu não tivesse visto desse tipo de publicações. Mamãe mesmo já tinha me mostrado algumas do gênero, embora as do meu tio fossem bem diferentes.

As revistas dele mostravam não só mulheres, mas também homens nus. Bem mais homens nus, a bem da verdade. Acho que eram daquelas que tinham uma fotonovela ou pelo que pelo menos se aproximavam desse tipo. Assim, é natural que tivessem homens nus e excitados. Vários, para uma única mulher. Do mesmo jeito que acontece em filmes pornôs.

Aquilo foi uma descoberta incrível e acho que deve ter sido bem engraçada a minha cara ao folhear a revista.

Passei o resto do dia sozinho, entre olhar a revista e fazer coisas de criança.

O que eu me lembro depois disso foi o meu tio ter ido ao banho e ouvi-lo assobiar. Nunca tinha assobiado e fiquei tentando, pedindo que ele me ensinasse, isso tudo pela porta do banheiro. Até que certo momento, cansado eu voltei às minhas coisas. Então, eu consegui assobiar. Fui correndo ao banheiro e pela porta mesmo gritei pro meu tio, que ainda estava no banho, que sabia assobiar!

Logo meu tio saiu do banheiro e eu o segui até o quarto. Ele começou a se secar e logo eu vi que havia algo entre suas pernas que era diferente do que eu tinha. Era uma coisa que lembrava, mas diferente. Lembrei do que tinha visto na revista mais cedo, embora ainda estivesse diferente. Hoje eu sei que o pinto dele estava mole. E ele se secando, prestou atenção só quando eu apontei. Ele perguntou se eu queria pegar. Não sei se peguei, essa parte eu não lembro, mas tenho a vaga imagem da minha mão se encaminhando em direção à.

Nada mais aconteceu e isso eu estou bem certo. Logo depois minha mãe chegou e eu desci as escadas correndo e fiquei agarrado nela, como de costume. Das coisas daquele dia, so contei que o tio tinha me ensinado a assobiar. Não foi preciso pedir segredo de coisa alguma, talvez por que eu não desse, no fim das contas, tanta importância pro ocorrido.

No entanto, anos depois, quando eu me percebi interessado em meninos, a imagem do meu tio despindo-se da toalha e mostrando o seu pinto mole enquanto perguntava se eu queria pegar, me voltou a lembrança como algo que sonhado.

Um comentário:

Ronrone à vontade.