01 setembro 2014

Quero ser escritor

Hoje em dia, com a popularização de blogs, de editoras independentes e dos e-books, muitas pessoas passaram a publicar os seus escritos e a almejar o título de escritor.

Há muito tempo autores falam de como realizam o seu projeto de escrita e tantos são os livros lançados sobre o tema, além de inúmeros outros expedientes, em que dicas e fórmulas são criadas, para que, os que desejam ser reconhecidos como escritores possam usar para alcançar o seu objetivo.

Dentre muitas dicas, a mais repetida aos quatro ventos é a de que o escritor deve gostar de ler e ler muito e boas coisas, sendo essas “coisas boas” os clássicos, geralmente. Por mais clichê que isso possa parecer, a dica é verdadeira.

O que nós conhecemos como clássicos, ou como livros excelentes, constituem não só um parâmetro temático, mas de construção estrutural do texto e, por mais que você queira fazer diferente, ele sempre constituirá para você e para os seus leitores um lugar para onde o olhar se voltará, pois faz parte de “arcabouço cultural” compartilhado.

Mas não basta apenas ler, deve-se escrever, e aí chegamos a um ponto muito importante. Nem todo leitor será um escritor, mas um escritor precisa ser um leitor, e isso significa mais que ler livros, é necessário, de certo modo, ler o mundo.

Ler, aqui, é mais do que decodificar ou “interpretar”, é compreender as coisas ali postas, saber relacionar com outros contextos, estabelecer conexões e sentidos, e esses devem ser no mínimo plausíveis.

E quem é o escritor, aquele que talvez tenha mais chances de alcançar o objetivo de receber essa alcunha? 

É aquele que gosta de escrever. Mais ainda, é aquele que tem necessidade de escrever, de estar escrevendo. E aqui o gerúndio é usado pra dizer que ele nunca para de escrever, pode ser que não haja papel nem caneta, que ele esteja longe de seu computador, mas mentalmente está criando, arranjando situações, realizando encontros de personagens, fazendo elas se separarem.

Outra dica muito manjada é a de que se deve escrever sobre o que conhece, mas se não conhecer não tem problema. Você pode pesquisar. E deve fazer isso para evitar passagens inverossímeis, para tornar o seu texto mais confiável para as pessoas que o leem e mesmo evitar críticas ruins de alguém que manja do assunto.

Contudo, uma coisa que acho também é muito importante, e quase nunca vejo ser mencionado nas dicas dadas por aí, que é estudar a estrutura, o modo como a narrativa é construída. Com isso não se quer dizer que a técnica vá fazer de você um escritor, mas vai fazer com que seu talento - é, precisa-se de um pouco de talento - seja aprimorado, lapidado; sendo assim, vale a pena ler livros que falem sobre construção de enredo, personagens, usos de elementos pra causar estranhamento, suspense e toda a infinidade de recursos existentes na literatura. E escreva. Escreva sempre e tente aplicar os recursos por você estudados.

Claro que no começo as coisas vão aparecer artificiais, mas pense que é apenas um exercício e que ele depois pode ser útil para outro escrito. Aprenda a trabalhar a linguagem, o que não implica usar o português frio e insensível da gramática normativa, mas é importante escrever bem e adequadamente ao estilo de história que você está contando.

E faça cursos, pois há inúmeros de escrita criativa pipocando por aí, mesmo em universidades, mas preste atenção que nenhum deles o ensinará a escrever e sim como fazer com que a sua escrita surja, ou nas palavras de Charles Kiefer: “Talvez não seja possível ensinar a escrever, mas é plenamente possível ensinar a aprender a escrever”. E estude. Leia. Escreva. E depois que escrever, reescreva. Deixe o seu texto enxuto, mesmo a enrolação deve ser necessária ao texto, pois se não for, corte-a fora. Sem dó.

Também é necessário pedir para pessoas próximas lerem o que você escreveu, pois elas que lhe mostrarão coisas que você não consegue perceber, tão clara a história lhe parece. Esses leitores também lhe mostrarão o que é divertido e o que é chato das mais variadas formas possíveis.

Tenha alguém que revise o que você escreveu.

Para mais dicas sobre escrever para ser um escritor, há muitos livros e blogs, inclusive falando de uma parte muito importante pra quem quer seguir carreira, que é a de conhecer o meio editorial, então vale buscar informações sobre isso também.

No mais, deixo aqui a sugestão de alguns livros sobre o assunto:

Para ser um escritor, de Charles Kiefer: O autor é professor universitário de Escrita Criativa na PUC-RS e escritor consagrado, com títulos publicados no exterior e vários prêmios na bagagem. Nesse livro, editado pela Leya, Kiefer traz um pouco da sua experiência enquanto professor, autor de várias obras de sucesso e de vida pessoal. Você pode comprá-lo aqui.







A Arte da Ficção, de David Lodge: O livro é uma reunião de textos publicados nos jornais Independent on Sunday e Washington Post sobre vários tópicos sobre a ficção. Os textos por ele apresentados usam de uma linguagem simples, fugindo do ranço acadêmico sem perder a qualidade. Traz também inúmeros exemplos em como esses tópicos aparecem na literatura (americana). Lodge também é professor universitário da disciplina Arte da Ficção e romancista.






Como funciona a ficção, de James Wood: “Notabilizado por seus ensaios na revista The New Yorker e professor de crítica literária na Universidade de Harvard, Wood aborda, numa prosa inteligente e aguçada, os mecanismos, procedimentos e efeitos da construção narrativa. A representação do real na literatura é o eixo central da análise de Wood, que questiona os limites entre artifício e verossimilhança na ficção. Em dez capítulos, elementos fundamentais do texto ficcional são discutidos pelo autor: o personagem, o foco narrativo, o estilo.” (fonte: CosacNaify) Você pode comprá-lo aqui.




Oficina de Escritores: um manual para a arte da ficção, de Stephen Koch: O autor, além de romancista, também foi professor na graduação e pós-graduação de universidades americanas das disciplinas de Arte da Ficção e Redação Criativa. O livro, pra mim um dos mais completos, traz, além de explicações sobre os elementos de construção de narrativa e dicas como as aqui citadas, depoimentos e exemplos de como essas sugestões funcionaram para escritores renomados e, principalmente, evidenciando que, as sugestões são apenas isso, que não há fórmulas específicas para se chegar lá. Você pode comprá-lo aqui.

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Um comentário:

  1. Quem quer escrever para a web também pode começar a escrever artigos em sites como o http://bhcidadao.com.br/quero-ser-um-colunista.html que aceita artigos sociais.

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Ronrone à vontade.